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Energia em meio à escassez hídrica

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 21 de outubro de 2021 às 10:08

Informações veiculadas no informativo “Newsletter EM Express”, em 11 de outubro de 2021, dão conta que haverá incremento na produção de energia elétrica no Nordeste brasileiro proveniente de empreendimentos que utilizam fontes primárias renováveis.

O primeiro diz respeito ao sistema de cogeração de um grande fabricante de celulose, com unidade produtiva situada em Eunápolis-BA. Na prática, um sistema de cogeração consiste na conversão da energia contida em uma fonte primária (óleo ou biomassa, por exemplo) em outras formas de energia (elétrica e mecânica, por exemplo) e, de forma simultânea, em outros fluxos energéticos (vapor e gases quentes, por exemplo).

De acordo com a matéria publicada no informativo citado, o fabricante de celulose está planejando o aumento da obtenção de energia a partir de sua usina térmica a biomassa, aproveitando os resíduos de madeira da sua produção de celulose. Para isso, a empresa estuda novas fontes de biomassa, como fibra de coco e cascas de cupuaçu.

Atualmente, a empresa utiliza na usina térmica, além dos resíduos de madeira não aproveitados no processo da celulose, outros oriundos das peneiras de seleção, fibras retiradas do tratamento de água e efluentes, o caroço de açaí e o bagaço de cana de açúcar comprados de produtores locais.

Em 2020, com todas essas biomassas, a empresa produziu, por ano, aproximadamente 919.873 MWh de energia, sendo que 603.811 MWh foram para consumo próprio e 89.352 MWh exportados para a rede do sistema elétrico.

Conforme o gerente de recuperação de utilidades, a empresa já obteve resultados bastante positivos com o caroço de açaí e as cascas de cupuaçu e o mesmo ocorra com as fibras das cascas do coco.

O segundo empreendimento trata-se de um complexo formado por quatro parques eólicos localizados no Rio Grande do Norte: Costa das Dunas, Figueira Branca, Gameleira e Farol de Touros.

No dia 30 de setembro de 2021 a última das 23 torres do complexo de 81,65 MW entrou em operação no município de Touros, no litoral norte potiguar. O projeto teve início em maio de 2019, com investimento de R$ 397 milhões, envolvendo 21 km de extensão de linhas de transmissão integradas ao Sistema Interligado Nacional.

Com a entrada em operação do Complexo Farol de Touros, com 24,9 MW de capacidade instalada, ele atingiu 100% da sua capacidade de produção. De acordo com a empresa responsável pelo Complexo Eólico Gameleira, com garantia física de 41 MW médios, foram negociados 12 MW médios no leilão de energia nova A-6, realizado em 2018, e 29 MW médios serão vendidos no mercado livre.

Outra notícia boa para o sistema elétrico e consumidores brasileiros é o leilão emergencial marcado para 25 de outubro 2021, que teve cadastramento de 972 projetos, perfazendo o total de 62 GW.

Desses projetos cadastrados, 56% são de usinas térmicas a gás natural, seguida pelas de óleo combustível, com 16%; óleo diesel, com 15%; biomassa, com 6%; solares, com 3%; e eólicas, com 1%.

No atual cenário de escassez hídrica, o referido leilão foi anunciado pelo Ministério de Minas e Energia, em 17 de setembro de 2021, conforme Portaria Normativa No 24, objetivando garantir o suprimento eletroenergético do Brasil, por meio do Procedimento Competitivo Simplificado para Contratação de Reserva de Capacidade.

 

Campina Grande, 21 de outubro de 2021.
[email protected]

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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