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Elizabeth Marinheiro: Tessituras: Zé Carlos

Elizabeth Marinheiro. Publicado em 14 de março de 2021 às 7:45

Acostumei-me a vê-lo quase diariamente. Subia, no impecável do traje branco, a rampa íngreme do casarão da Vidal de Negreiros. Lá dentro, Petronio ordenava-me servir-lhe água e o Tio Argemiro enfatizava-lhe o talento num vaticínio de vitória.

(Nem mesmo a carnavalia – fantasiada nas tintas Jumbo de Valete Donato, Vilmar Mula Preta, Ibraizinho, Geraldo Dias, Leonardo Motta e outros – supria os encantos de uma Virgilia eternamente enamorada).

A competência, rumo à escalada do sucesso. Jamais repetiu o Brecht na Canção do Negociante: “do arroz só sei o preço”. Não.

Integrado à realidade sócio-econômica do Brasil e prenhe de idealismo raro, fez-se campeão com garra própria. Bandeirante, transportou “São Braz” pelas estradas nacionais. Universalista, é válvula motora da indústria paraibana. Campinensíssimo, é célula viva impulsionando o engrandecimento serrano. Cidadão total, é humanizador de cenários ameaçados pela voragem cibernética.

(Relembro-me em seu gabinete da Simeão Leal, assinando não apenas “os livros ouro” da Fundação Artístico Cultural Manuel Bandeira, que ajudou a fundar neste chão de Rubem Navarra, Murilo Buarque, Figueiredo Agra. Mas, assinando aos montões. Oferecendo tanto a tantos quantos lhe endereçassem uma reinvidicação. O seu gesto não se restringe ao ato de dar; com ele dádiva é subarrendada para que alguma lição, alguma mensagem seja superposta).

Sim! sua vida já é uma escritura. Escritura forjada na dimensão tríplice: homo sapiens, homo faber, homo ludens.

Sapiens porque sua cosmovisão vem mediada pelo refletir vertical acoplada a uma evidente familiaridade com os silogismos. Fáber porque no seu processo de construção não há espaço para o “Pedro Pedreiro”. Ao contrário da canção de Chico, ele soube expurgar a dicotomia empregador X empregado sem o estardalhaço dos slogans desgastados pelo uso demagógico… Ludens agradavelmente lúdico!

Lúdica é sua presença incorporada já à paisagem urbana. Lúdica é a co-vivência com amigos e com subordinados. Lúdico é sorvê-lo na intimidade de um lar, onde a protagonista autêntica é coadjuvada por três pequenos heróis: Eliane, Ricardo, Eduardo.

(Transporto-me à sua Desembargador Trindade: uma resi­dência de Campina para Campina. O luxo que não agride, a beleza que não cansa, a ordem que não entedia. Tudo é requinte de carinho. São verdes que reanimam! São águas que cochicham! São os sons de um sonho que se sonha outra vez\…)

Eis o homenageado da noite/hoje. Nunca vi homenagem mais justa, mais pertinente. Associo-me a ela, coraçãomente.

Vice-Governador José Carlos da Silva Júnior: não fui Ode porque desconheci a Plêiade. Não fui cantata porque fugi do árcade. Não fui hino porque não encontrei a lira.

É a balada que lhe apresento: a Você, a Virgilia, aos seus filhos, genros, netos. Balada que não vem de Goethe ou Quental. Balada sim, que brota dos nossos corações, para você, Zé Carlos! ELIZABETH MARINHEIRO (in Crítica Sem G.P.S., 207-208).

MÃOS DADAS

“Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.” C. DRUMMOND DE ANDRADE (in Obra completa, p. 132).

SEMPRE OS ABRAÇOS

Com muita admiração estão indo para Luiza/Carlão Leite. Jurema Filho, Socorro/Antonio Silveira, Dr. Luciano Wanderley, Leonel Freire, Solange C. Loureiro, Edmilson Rodrigues, Luciana Cabral dos Santos, Dra. Sandra Pinto e para as ex-alunas Laura Ximenes e Lúcia Lima.

AO MEU LEITOR

“Anunciemos o Amor de Deus por todas(os) nós”

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