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Elizabeth Marinheiro: Tessituras

Elizabeth Marinheiro. Publicado em 17 de novembro de 2019 às 7:03

 Há períodos frios e calorosos na vida do ser humano. Portanto se deve aproveitar os dias das primaveras, ouvindo o solfejar daquele pássaro no verde jardim.

 Pessoalmente, tenho recebido em minha casa os prêmios de uma primavera original, que começou com o “sedex” chegando com bela caixa. Dentro, uma caderneta de páginas douradas tão douradas quanto as mãos de quem a enviou.

 Procedente de Londres, minha querida prima Yone Figueiredo, retornando à Brasília, envia-me o seu surpreedente da alegria. Yone, com sua sobriedade típica, tem uma escrita curta e os gestos longos. Emocionei-me, sim. Nada melhor que ser lembrada! E em vida…

 Que DEUS conserva a fidalguia e a elegância da prima Yone.

 Na sequencia, recebo, com imenso prazer, uma “trindade” fantástica: Ninfa, Aguida e Salete. Cada uma abordava, inteligentemente, um tema e o “papo” foi se tornando gostosissímo.

 Para completar, trouxeram-me uma maravilhosa caixa/livro, cujas rosas assemelhavam-se à música “fica sempre um perfume/nas mãos de quem oferece rosas”. Não gosto de receber mais livros, nem flores…

 Porém, as rosas desta “trindade” conotam sinceridade, estima e admiração, Salete. Ninfa, Águeda: amigas de meu coração.

 Em seguida, tenho outra surpresa. Feliz surpresa! Pula de um bercinho um Anjo. Tão angelical como a querida amiga de adolescencia. O anjo parecia dizer: “Jacy Cruz te quer muito bem”. Não sabe Jacy que eu a quero muito. Que nem sempre o cotidiano feroz permite o conviver tão recomendado por S.S. Papa Francisco.

Entretanto Jacy, permanecem a amizade e a identidade!

OUTRO MOMENTO FELIZ

Para falar sobre Elizabeth Figueiredo Agra Marinheiro, fugi da cronologia, de passagens númericas, do pretérito, porque Elizabeth Marinheiro, como é conhecida, Betinha para os intimos, é presente, é permanente; é imortal.

Escritora, critica literária, professora doutora, a primeira mulher a ocupar um assento na Academia Paraibana de Letras. Professora emérita da Universidade Federal da Paraíba, eleita por unanimidade dos votos. Idealizadora e coordenadora de importantes congressos literários de Campina Grande, por mais de duas décadas. Reconhecida pela vasta e significativa produção literária. Premiada, nacional e internacionalmente, coleciona troféus, comendas, títulos e homenagens.

Peço vênia para pedir-lhe que me permita, em nome de algo que nos aproxima – o fascinante mundo das letras e a paixão pela provocativa e sedutora literatura – chamá-la pelo carinhoso e afetivo apelido.

Betinha, compartilha do pensamento do caríssimo professor e também crítico literário, da UFCG, José Mário da Silva, que, com maestria, exalta o brilhantíssimo e a profundidade da escritora-ensaística, ao afirmar ser você” índice, ícone e símbolo de valores perenes e imperecíveis grandezas. É índice de realizações que emulam contra o tempo e fundam a sua própria eternidade. É símbolo da cultura literária autêntica. E, por fim, ícone de uma singular competência em todas as áreas em que tem atuado, notadamente, na docência e na prática de um ensaísmo crítico verdadeiramente brilhante, nuclearizado, de um lado, por um amplo repertório teórico; e, por outro, por uma rara capacidade de conferir, às obras lidas, o seu particular e peculiar sotaque critico”.

Apesar de não ser crítica literária, ouso dizer que o seu traço linguístico-literário é inconfundível. A maneira como transita entre o clássico e o popular, desaprisiona, suspende as evidências cotidianas, desfaz certezas, rompe os modos de expressão pactuadas, cria um efeito de deslocamento que tem a dádiva de descerrar o olhar.

O vaivém dos seus discursos é um exercício de pensamento que faz apelos às emoções e à empatia, surpreende e incomoda. O seu (des)compromisso crítico, livre para entregar-se às transmutações imaginativas mas inesperadas, permite liberar o tempo das utopias criadoras. As suas “tessituras do eu” permite-lhe experimentar a complexidade da vida.

Por tudo isso, Betinha é voz que inspira, transcende, e que faz dela esta mulher contemporânea do seu tempo e do nosso tempo. Betinha não cabe em códigos, porque é jurisprudência viva e, ao mesmo tempo, cláusula pétrea. Fico devedora de um labor hermenêutico mais longo, mais demorado, mais elaborado da escrita.

Para encerrar, um trocadilho (afinal, à linguagem podemos adicionar muitos temperos): assim como a Inglaterra tem sua rainha Elizabeth, a Rainha da Borborema tem a sua Elizabeth rainha.

Vida longa à Diva das Letras campinense!”(Ediliane Figueiredo, in Mônica Figueiredo)

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