Elizabeth Marinheiro: Tessituras

Elizabeth Marinheiro. Publicado em 16 de maio de 2021 às 8:01

A ditadura dos gêneros desapareceu no momento em que a ciência moderna provocou a descontextualização da cultura escrita. Inegável que os conceitos platônicos e aristotélicos permanecem vivos. Mas, a partir de McLuhan, a teoria oralista, ancorada em Homero ganhou destaque, graças à Hermeneutica que vislumbrou, por trás dos textos, realidades pertencentes à linguagem oral.

A exemplo, o discurso político tem forte elo com a  cidade, passando a integrar o território da comunicação e um meio de expressão, não do “poder” e sim de grupos sociais, tornando-se, por esta via, portador das classes subalternas.

De acordo com Pierre Bourdieu, posso inserir o fenômeno FÉLIX ARAUJO como emblema de “Sociologia da cultura popular”.

Muitas vezes conversava com ele – em passant – na calçada da Rádio Borborema ou na antiga rua da Floresta, indo em direção a sua residência.

Tanto ao conversar com este Gênio, como escutá-lo na Câmara Municipal eram, para mim, momentos de encantamento. Sua palavra não objetivava o consumo, nem o sucesso. Dos caracteres populares aos altos da Eloquência, a “biblioteca azul” era expulsa pela tonalidade kantiana de legitimar as “Ideias da Razão”.

Seus conteúdos e procedimentos metaforizam uma reescritura política, implicitando temas para a elite, e explicitando rituais e saberes em defesa do povo. Por consequência, a inquestionável CORAGEM de denunciar a corrupção e outras mazelas evidentes em sua época, por trás dos sórdidos bastidores do poder.

Bollème deixou “o povo por escrito”. Félix retirou as periferias para a Oratória! Conscientização popular! Jamais uma narrativa de opressão!

Com sua metalinguagem oral, deixou o poema em prosa: TAMAR. Texto que desvela as viagens do pensamento. Enquanto “fala interdisciplinar das musas” (cf. Paulo Freire), Tamar é livro que deverá ser lido e reeditado. Um pacto entre o nós e o eu. Um olhar entre o passado e o vivido!

Não poderia encerrar estas linhas sem referir-me ao meu vivido. Foi a cena que atravessou minha casa na rua João da Mata; cena de um bandido correndo para se esconder na residência do Prefeito. Minha família e eu ficamos atônitos! O vândalo João Madeira, ao chegar à cadeia, foi assassinado.

“Elpídio de Almeida

é o candidato

da pobreza

e da religião

*************

Pelo povo

contra a fome

se levanta

um grande nome” FÉLIX ARAÚJO

DA FELICIDADE

A felicidade encontra-se em nós mesmas. Mas, ao partilhá-la com alguém, tornamo-nos mais alegres e felizes.

Esta semana minha solidão sofreu uma subtração. É a presença-astral de Lizanka; com celular “pregado no corpo”, ela não deixou de dar-me ótima assistência.

Conversamos, fofocamos, reunimo-nos com amigas e trouxemos o Rio para dentro de casa. Embora tenha sentido a falta de Tulenka, as vitórias de Maria Eduarda superaram (provisoriamente) a saudade de minha Arquiteta.

DEUS NO COMANDO!

ABRAÇOS

Muito agradecidos para Naná Garcez (A UNIÃO), Celino Neto, Aurinha B. da Fonseca, Dr. Nestor/Dr. Rafael (SORRIFÁCIL), Bêri Pedrosa, Lourdinha Ramalho, Vera Maia e Vera Lucena.

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