Fechar

logo

Fechar

Elizabeth Marinheiro: Tessituras

. Publicado em 28 de março de 2021 às 8:25

Sabe-se que Roland Barthes viveu um tempo glorioso, usando os mais diversos gêneros e uma rica aparelhagem semiológica. Ele mesmo, frente ao grande consumo, se disse preocupado com se ver capturado como objeto consumível, de acordo com Leyla Perrone.

A mestra vai mais longe: “Pela lei da sobrevivência, os vivos se apressam em enterrar os mortos, sobretudo aqueles que em vida, pela fama obtida, obstruíram o caminho dos que lá desejaram chegar”. Concordo com Leyla.

Entretanto, a obra barthesiana é insuperável. Seus ensaios são lições de fotografia, artes plásticas e sobretudo, Linguagem e Literatura. Seria impossível rotular Barthes: Ensaísta? Escritor? Mitólogo? Novo Crítico? Semiólogo? Respostas precárias…

O excelente estudo do mestre, “O efeito real”, nos adverte sobre os diversos deslocamentos do autor frente ao signo verbal. Ao escapar do “já dito”. Barthes transformou sua Escritura em saber, prazer e sabor.

Essas considerações vieram à tona quando aceitamos o comentário de José Marques de Melo: “Infelizmente a obra de Welligton Pereira não teve a circulação que merecia em nossa comunidade acadêmica. Publicada por editora regional limitou-se ao público nordestino, suscitando atenção restrita nos cursos de jornalismo” (in “Crônica: a arte do útil e do fútil”. p. 12).

Nada mais acertado. Os escritores “provincianos” somos ignorados nas universidades, academias e, de certa forma, pelo público em geral. Daí, a sentença de Leyla: “os vivos se apressam em enterrar os mortos”. Eis o insólito!

Autor de “As possibilidades do róseo”, “O beijo da noiva mecânica- ensaios sobre mídia e cotidiano”, Welligton nos premiou com “Crônica: a arte do útil e do fútil”. Tem-se aqui uma perfeita comunhão entre Jornalismo e Literatura. Além da analise em torno dos cronicários de Machado e Drummond, este Doutor pela Universidade Paris V/Sorbone fez uma plena abordagem da Crônica, tendo o cotidiano como base. Um factual que ultrapassa o efêmero e o provisório em textos que conectam a notícia dos jornais e a estética literária.

Ao negar a crônica enquanto relato cronológico (p.21), o paraibano pontuou o discurso coloquial, mas revelando que “O específico da crônica neste espaço é a ampliação dos seus significados, rompendo as dicotomias estéticas impostas pela linguagem literária ou jornalística” (p. 35).

WELLIGTON: o útil e o fútil. Com saber, sabor e sabedoria.

REGISTRO

Lecionava na Universidade Federal da Paraíba (João Pessoa) à noite. Durante as férias, meu pai perguntou se eu iria continuar trabalhando à noite. Disse-lhe que sim e indaguei o porquê. Respondeu-me que tivera um sonho comigo acidentada na estrada. Realmente, fiquei apavorada.

Porém, aguardei o veraneio e fui falar com o Diretor do Centro de Letras, Prof. Wladimir Andrade, de saudosa memória. Com muita gentileza, pediu-me comparecer ao Centro, dia seguinte.

Compareci. Lá encontrei o inesquecível Doutor e a Profa. Dra. Linalda de Arruda Melo.

– Professora, a senhora não vai me pedir demissão da UFPB porque a Dra. Linalda vai assumir suas aulas à noite e a senhora passará para manhã.

Inenarrável, minha emoção!

Até hoje somos devotadas amigas.

Será que pelai existe alguma Linalda?…

TARDE LÚDICA

Passei uma saudável tarde em casa de Vaninha/Arquimedes Leal. Uma residência maravilhosa: verdes por todos os recantos; plantas originais; coleções de esculturas; belos cristais, enfim um lar aconchegante em todos os aspectos.

Tivemos um bate-papo diversificado e animado cardápio feito  pela Rosa. Arquimedes, o lúdico. Vaninha, a serenidade. Melânia e Érica dois autênticos modelos.

Não senti o advento do crepúsculo!

DOS ABRAÇOS

De solidariedade para: Dra Clarice Campelo e família.

De carinho para: Gloria Martins, Cida Pinto, Felipe Pinheiro, Caliel Siqueira e Helena Targino.

De admiração para: Jurema Filho, Celino Neto, Madalena Padilha, Jussara (da ZOONOSE), Gerusa Soares, Fátima Catão, Harrison Targino, Magna Céli (João Pessoa), Albanita Guerra Dirceu Neves (RJ).

 AO MEU LEITOR

“Mais do que máquina, precisamos de humanidade; mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura.” CHAPLIN.

Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube