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Elizabeth Marinheiro: Tessituras

Elizabeth Marinheiro. Publicado em 18 de outubro de 2020 às 8:05

Vamos lembrar um pouquinho o Poeta MANUEL BANDEIRA?

Claro, nossa escrita exige esta revivência, até porque convivi com ele, em seu apartamento da Oires Saldanha – Rio de Janeiro.

Nosso recifense, viveu grande parte de sua vida em Petrópolis, Rio, São Paulo e, sobretudo Recife, o grande interlúdio de suas emoções. Emoções contidas no poema “Infância” e no conto “A Madrasta”:

Capineiro de meu pai,

Não me cortes meus cabelos,

Minha mãe me penteou,

Minha madrasta me enterrou

Pelo figo da figueira

Que o passarinho bicou

Xô, passarinho”

É de sua emoção que procedem poemas antológicos e que cortavam o coração do mestre, a exemplo de “Roseira dá-me uma rosa”. “O anel que tu me deste” e muito outro. Dá influência paterna ficou com a convicção de que a Poesia está em tudo: num chinelo, no amor, no factual, na piada, no humor e noutros patamares.

Como a poesia está em tudo, as concepções estéticas e artesanais de Bandeira tornavam sua obra multímoda. De “A Cinza das Horas” ao “Itinerário de Pasárgade” a voz lírica predominante não recusa a evocação, a intimidade, o mítico, tal como detectamos em “Evocação do Recife”, “Profundamente” e “Véspera de Natal”, respectivamente.

Os estados anímicos, horas sombrias, a fugacidade do existir são recorrentes como percebemos em “A Estrada” ou “Noturno da Mosela”:

Se fosse só o silêncio!

Mas esta queda d’água que não pára! Que não pára!

Não é de dentro de mim que ela flui sem piedade!

A minha vida foge, foge, e sinto que foge inultilmente.”.

Mesmo diante do Modernismo nascente, discurso íntimo e o anular-se frente ao mundo exterior subsistem em sua Poética, embora com ritmo simbolista. É que por sua multiformidade, a travessia bandeiriana não perde a unidade.

Seu grito de evasão o consagrou “Pasárgada” e é ele quem afirma: “Não construí o poema; ele construiu-se dentro de mim”.

Os jogos onomásticos, o protesto político, as estórias de “minha amaseca mulata”, a musicalidade formatam uma Poética que anota “toda a vida que podia ter sido e que não foi”.

Do humor ao lirismo; do concretismo à plena aceitação do Modernismo, a poesia de Bandeira passa a ser um desafio para todos nós que não pretendemos a dureza da vida “quando falta a esperança” e sim abraçar a Literatura enquanto forma de libertação.

Sim, “abaixo os puristas”…

EXCELENTES LEITURAS

De JOHN FLAVEL: Guardando o coração.

De MÁRIO SÉRGIO CORTELLA: Por que fazemos, o que fazemos.

De FIGUEIREDO AGRA: Hemisférios Loucos

De IVAN BICHARA: Joana dos Santos

De JOÃO BATISTA DE BRITO: Signo e Imagem em Sérgio de Castro Pinto.

ABRAÇOS

Para Conceição Araújo, Salete Matias, Vaninha Leal, Dra. Rejane Vasconcelos/Max, Argentina Brasileiro, Liliane Almeida, Renata Gadelha, Ruy Everson Leitão, Ninfa Macedo, Mônica Mangueira e Lamirzinho Mayer Motta.

AO MEU LEITOR

A dor é também a falta do conviver!

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