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Elizabeth Marinheiro: Tessituras

Elizabeth Marinheiro. Publicado em 5 de julho de 2020 às 15:45

Não a conhecia. Via-a sempre no Colégio Estadual da Prata.

 Algum dia apresentaram-me a ela, acrescentando que possuía linda voz e cantava muito bem.

Convidei-a, então, para integrar o grupo musical dos Corais Falados MANUEL BANDEIRA/CECILIA MEIRELES, dirigido pelo talento da Professora DALVANIRA GADELHA, a Dadá querida de todos.

Aceitando o convite, ela, logo, destacou-se no canto. Excelente desempenho. Daí, participou das apresentações e viagens dos Corais no Nordeste e Sul do Brasil. Daí, também, nasceu a sincera aproximação entre mim e ela.

Sempre chic, riso largo, pernonas bonitas e bem educada. Foi eficaz participante dos “Congressos de Campina”.

Na qualidade de Presidente da FACMA, deixou o marco da seriedade, do bom trabalho, da competência. Enérgica, sim! Colaboradora do PEN e também chamada pelos(as) que gostam de fotos e de “a fotógrafa oficial da Seccional”. Será que ela gosta disso?…

Atualmente a considero uma devota da Filantropia. Sem largar o “salto 15” e as academias, ela cuida até do cachorro da vizinha: por ele gasta comida, remédios e banhos. Porém não termina aí sua vivência solidária. Atende aos amigos, visita os doentes e ve se tornando meio reclusa; já não é festiva como noutro tempo.

Nela, admiro muito a dedicação para com a família. Assistência máxima ao irmão gravemente enfermo. E o fez com total despojamento.

Devo-lhe inúmeras finezas. É minha amiga verdadeira.

Mas, ainda não pagou as mensalidades e Revistas da I Seccional PEN da Paraíba, OK?

PROFA. CÉLIA FARIAS: um símbolo do Fraternalismo Humano!

PROF. CHICO VIANA

Nesta pandemia a gente pensa o que quer e o não quer. Lembro-me que no final da década de 90 (noventa) apresentei o Projeto dos “Congressos de Campina” ao Prefeito. Em vão…

Tal lembrança veio à cena por dois motivos: primeiro, porque estou em julho, época em que com generosa equipe, estava ultimando os preparativos para o grande “banquete” do Saber. Que falem Lucie Mayer Motta, Estelita Cardoso, Ruy Everson Leão, Marizeuda Soares, Aurene Macedo, Zélia Ponciano, eficientes recepcionistas, proprietários de ônibus, enfim, muita gente do Bem.

Outro motivo foi haver encontrado no meu acervo um texto do Prof. FRANCISCO VIANA de inquestionável importância e validade atuais. Nada mais necessário que transcrevê-lo.

“Ai por meados de julho, estranhei que o convite estivesse demorando. Entra agosto e o convite não chega. Então leio um artigo de Elizabeth Marinheiro, num tom de magoado protesto, informando que este ano possivelmente não haverá os Congressos de Campina. Eis a explicação para a ausência do convite que me vinha chegando anos a fio, pedindo-me a ementa de uma comunicação a ser apresentada. Vezes seguidas estive lá e dei o meu recado – um pouco para participar do evento, lendo e ouvindo depoimentos e comunicações, outro tanto para rever minha terra natal.

Agora chegará setembro e, pelo menos sob o aspecto da cultura e do debate produtivo no campo das letras e das artes, Campina será um canteiro mudo. Ali, como em tudo, Corescerão os rebentos da terra, pois a natureza não precisa de estímulos do mercado ou do governo. Patrocina a si mesma. Independe de verbas e não se subordina a nenhum calendário de eventos que às vezes sacrifica atividades nobres em prol de outras, menos relevantes – embora de maior apelo popular. Mas, ao contrário do que tem acontecido nas últimas décadas, não florirão os rebentos da ideia e da sensibilidade, do intelecto e do engenho – efeito da ampla troca de informações que havia em Campina nesse período.

E os Congressos não vão florescer neste setembro, pelo que entendi, por falta de jardinagem oficial. Para ficar ainda na metáfora, digamos que ninguém está regando a ideia, ninguém está implementando as inúmeras tarefas necessárias à realização de um evento que, tendo crescido muito e sendo um dos poucos do género no Brasil, desafia a capacidade e o esforço de seus eventuais organizadores. Pelo que representa para a cidade, pelo que significa para a comunidade científica e artística internacional, os Congressos são já um patrimônio de Campina Grande. Como tal, deveriam ser preocupação e interesse de toda a comunidade campinense – nela ressaltando-se, obviamente, os governantes, os artistas, os intelectuais e todos os que têm algum apetite pelo saber.

Mas, pelo visto, ainda estão a depender da imaginação e do empenho de uma única pessoa. Isso é tanto mais triste quanto se sabe do gigantismo de Campina em outros domínios, sobretudo os ligados ao entretenimentos e à cultura popular. A cidade se esmera na Micarande, excede-se na organização das festas juninas – mas parece que se exaure no saracoteio dessas festas, movidas a guitarra e forró. A impressão é que, saturada do circo, ela fica sem ânimo para o pão – sobretudo quando esse pão, de fermento incorpóreo, se destina à fome do espírito. Enquanto imagem de festa e animação inconsciente, Campina é cartão postal para o Brasil e para o mundo. Mas está em vias de cancelar um dos poucos acontecimentos onde se privilegiam a reflexão, a pesquisa académica e o debate erudito, e que há décadas vem sediando.

Quero acreditar, porém, que nem tudo esteja perdido. Uma das coisas que aprendi em meus anos de vida é que Campina sempre surpreende. Ainda é tempo de impedir que, por ressentimento ou descaso, os Congressos deixem de acontecer. Para que voltem à vida, basta uma fagulha do entusiasmo, uma fiação mínima das dotações que se destinam, por exemplo, a uma Micarande. Não se deseja o maior Congresso do mundo; sempre laborando em condições humildes, os intelectuais sabem que não podem aspirar a esses luxos. Querem apenas um evento compatível com a seriedade e o respeito que o vêm distinguindo, ao longo do tempo, perante escritores, artistas e pesquisadores de todo o mundo.

Em tempos de mediocrização do gosto e globalização alienante, seria triste perder também isso.”

Aí que saudade me dá, aí que saudade me dá, assim fala a canção popular. Gostaria que alguém levasse este texto ao Prefeito ROMERO RODRIGUES. Talvez ele não saiba que os “Congressos” são um Decreto-Lei do Prefeito Enivaldo Ribeiro, ratificado pelo Prefeito Cássio C. Lima, conforme documentos existentes. Parece-me que o número do Decreto é 1001.

AO MEU LEITOR

Vamos retomar, em minha casa, as “domingueiras”?

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