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Elizabeth Marinheiro: Tessituras

Elizabeth Marinheiro. Publicado em 31 de maio de 2020 às 9:57

Domingo! Dia de Pentecostes.

“Vinde, Espírito Santo.

enchei os corações de

vossos fiéis e acendei neles

o fogo do vosso Amor.”

PRECE

Que este fogo ilumine a Ciência mundial para que ela encontre a fórmula de matar o pandemônio.

Que este fogo proteja todos os Profissionais da Saúde, defendendo-os do mal terrífico.

Que este fogo recupere, o mais cedo possível, as pessoas (às vezes, amigas tão queridas) já atingidas por umma nova versão do inferno dantesco.

Senhor Deus Onipotente, ouvi o clamor do mundo inteiro!

UM AGORA OPACO.

As gentes já não se cumprimentavam nos elevadores. Não se desculpavam quando nos empurravam nos mercados. Os velórios eram meio festivos… E havia luz.

Repentinamente, a luz desaparece. Não há mais espaço para abraços, desculpas, sepultamentos dignos.

Opacidade nostálgica. Dito e contradito. “Disse me disse” da baixa politicagem. Muitos perdendo e uma mínoria privilegiada ganhando… um fecha-abre danado. Preços em alta.

Igrejas fechadas. Alunos, de todos os graus, prejudicados porque sem condições informáticas. Ruas cemiterializadas. Mortes, danos, tédio, solidão. Muito tédio, igual a solidão.

E nós? Um bloco de mascarados sem carnaval!

CHICO

A hora nebulosa remete a um diálogo de Chico Buarque, em “Essa Gente”. Eí-lo:

– “Vá se foder – ele diz -, eu não lhe conheço.

       – Eu tampouco o conheço.

       – Você mora no prédio?

       – Não é da sua conta.

       – É morador ou não é?

       – Morei aqui treze anos.

       – Ele é morador ou não é?

       – Nao senhor – responde o porteiro.

O grandalhão abre a jaqueta e puxa um revólver:

       – Então fora daqui.

       – Calma rapaz.

       – Dá o fora já.

E meu filho:

       – Duarte, vamos na praia.” (p.126)

Algum dia fui ao prédio de Salete Carolino e o porteiro foi muito educado. Na casa de Lucie Mayer os cães de Lamir dispensam revólveres. No apartamento de Divanira calma e tédio convivem bem. Com Bibi Cabral pode-se comprar mesas de luz pra sons. Com Mônica Mangueira, um excelente licor. Célia puxa um cachorrinho na calçada. Adnalva preenche o dia lendo o livro “Ari Viana”, em 20ª edição. Eu escrevo minha autobiográfia.

Terminamos todas indo à praia do Açude Velho…

AO MEU LEITOR

Nem tudo está perdido porque DEUS é Maior.

E foi no Açude Velho que nos banhamos de Esperança com perfume de jasmins.

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