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Elizabeth Marinheiro: Tessituras

Elizabeth Marinheiro. Publicado em 23 de fevereiro de 2020 às 9:33

Em cada puerto

uma mujer espera

Los marineros besan

y se van”

Em cada canto

uma cliente espera

Thélio reanima

e desaparece…

Esta imperfeita paráfrase está muito longe de uma aproximação com meu ídolo NERUDA. E vem à tona enquanto tentativa lúdica de sair e entrar em “Vinte Poemas de Viagem e Uma Canção de Chegada”, recente livro do Dr. Thélio Farias.

Com textos de Helena Terra, Nicolas Behr, Sérgio de Castro Pinto, José Mário Silva e mais 12 considerações significativas sobre vida/obra do Dr. Thélio, resta-me pouco a acrescentar. E mais: com 15 (quinze) livros publicados, este Autor campinense surge como forte candidato à Academia Paraíbana de Letras.

Para Sergio de Castro Pinto, os “Vinte Poemas” são a transformação do “lápis num caniço pensante da linguagem”. Com José Mário, o livro traz “os signos da objetividade e da exatidão, tudo revistido com o imprescindível adorno da qualidade”.

Direcionando meu foco para PETRA (p.13) vinco “A beleza virou pedra

Napoleão vigia a cidade” em PARIS NAPOLEÔNICA (p. 15).

O LAR POÉTICO (p. 17) eterniza “Vinicius de Moraes” e seus amores por Itapuã.

Em AMOR EM FORMA DE PRÉDIO (p. 19) um canto de amor guarda uma família e “Agra te guarda princesa Mahal”. Estórias que me foram contadas por meu inesquecível pai…

Um “Pavilhão Dourado” é “Descanso do xogun Ashinkaga” em O EDIFÍCIO DE OURO (p. 21).

EM OS GUERREIROS DA ETERNIDADE (p. 23) a voz poética lembra relincho de cavalos que metaforizam o “Exercito do imperador Quin”.

Já em REVOLUÇÃO UTÓPICA (p. 25) “A utopia vermelha de orgulho, / virou história em São Petesbrugo”.

LA BODEGUITA (p. 27) é “Politica, amor, literatura, canção” com Neruda e Fidel ao centro. Cuba, sempre Cuba!

Realmente INVENCÍVEL (p. 29) quem “Derrotou potências de exércitos grandiosos”.

Claro, o mito tortura poetas e a Esfinge “Devora-me porque não a decifro”. (GUIZÉ, p 31).

CABO DAS EMOÇÕES (p. 33) é poetizado como “Palco de emoções e de histórias”.

Em TEMPLO DOS TEMPLOS (p. 35) “Angkor é o maior do mundo em devoção religiosa”.

Laos transforma-se em “Cidade da paz e de reflexão”. RONDA DAS ALMAS (p. 37).

“Cantada por Neruda”, em Machu Pcchu “A cidade parece levitar”, (A CIDADE DO CÉU, p. 39).

A Amazonia é realmente a “Riqueza irrenunciável do Brasil”. (A FLORESTA DE MORMAÇO, p. 41).

Doenças, desgraças, desigualdade gritam na Zâmbia, o território no qual “Choram a pobreza e a fome”, (LÁGRIMAS DA ÁFRICA, p. 43).

Sinto-me agora em la ruta del Quijote, sonhando com a querida España e imaginando Sancho, Dulcineia e Rocinante através do texto DEFENSOR DOS SONHOS (p. 43). Lindo!

Em VIDA (p. 47) “Kahlo, Frida, parece quimera”. Concordo.

Nos rios sujos de Veneza escuto o “Tico-Tico no Fubá” numa gôndola “negra” e percebo o dizer poético: “Tua trilha sonora é Vivaldi” (GÔNDOLA DA HISTÓRIA, p. 49).

Dubai, um novo mundo”, é tema em A JOIA DO DESERTO, p. 43.

CANÇÃO DA CHEGADA (p. 53). Canção de volta. Realizado “O sonho de Ulisses: voltar para casa”. Os abraços, alegrias, o “local sagrado”. O real da emoção estética.

Que direi mais? Sem pretender Ensaio de longo folego, acrescento que os VINTE POEMAS não são o olhar voyeristico do turista. A poesia de Thélio faz do olhar o sujeito e não objeto. O tom objetivo da geografia visitada não é construção e sim representação, ou seja, ao invés dos clichês e remakes tem-se a fé perceptiva postulada por Merleau Ponty.

Sabendo distinguir ver e olhar, Thélio Farias trabalha o ver de novo, o olhar bem, indo além do visto, funsionando memória e olhar nos pulmões da Linguagem.

Em verdade é o passado de um viajante a temática theliana; porém um passado que o poeta, sem deixá-lo para trás, transformou-o numa configuração presente, vasada no distanciamento que, ainda com Ponty, é aquele “de nós para nós mesmos” e, assim, encontramos o Outro.

VINTE POEMAS DE VIAGEM E UMA CANÇÃO DE UMA CHEGADA: a viagem que foi além do Visto, convocou a Memória e fez-se renovação do lirismo tradicional.

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