...

Campina Grande - PB

Elizabeth Marinheiro, a ilustre aniversariante do dia de hoje

22/09/2016 às 12:10

Fonte: Da Redação

jose-mario

Por José Mário da Silva*

“Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios” (Salmo 90.12).

Elizabeth, Elizabetíssima, no acertado dizer do confrade Evaldo Gonçalves de Queiroz, pela superlatividade dos predicativos que iluminam a sua rica e inabordável subjetividade. Elizabeth, Elizabetíssima, raiz frondosa plantada no alto da Guabiraba, espacialidade silenciosa e bucólica onde, bandeirianamente, se pode “sentir a delícia das coisas mais simples”.

Elizabeth, Elizabetísima, vocação congênita para a liderança pródiga em realizações que, quaisquer que sejam os âmbitos em que se manifestam, fazem dela um ser arrebatado para a imortalidade. Elizabeth, Elizabetíssima, Marinheiro de águas profundas, consorciadoras de um saber oceânico e sumamente competente. Elizabeth, Elizabetíssima, a Professora Emérita da Universidade Federal da Paraíba e Titular da Universidade Estadual da Paraíba.

Elizabeth, Elizabetíssima, renovadora paradigmática dos estudos de teoria literária e formadora de sucessivas gerações de profissionais que nela encontraram a mestra exemplar e a incentivadora de todas as horas. Elizabeth, Elizabetíssima, ensaísta literária consagrada dentro e fora da geografia acadêmica brasileira; portadora de uma obra crítica várias vezes premiada, autenticada pelo peso recepcional de expoências do porte de Jacinto do Prado Coelho, Eduardo Portella, Gilberto Mendonça Teles, Nelly Novaes Coelho, Eduardo Coutinho, Alberto da Costa e Silva, Ivan Junqueira, Jorge Amado, e outros e outros e outros, componentes de um vasto código onomástico cuja citação torna-se tão ociosa quanto incabível no presente espaço. Basta-nos o ponto essencial e indesviável: a ensaística de Elizabeth Marinheiro já se configura em ponto de partida e de chegada de alentadas metacríticas.

Elizabeth, Elizabetíssima, em cuja epistemologia sólida, os vetores do conhecimento e da arte sempre formaram um produtivo e inseparável binômio. Elizabeth, Elizabetíssima, criadora e mentora, ao lado de uma idealista e comprometida equipe de trabalho, dos inesquecíveis e incomparáveis Congressos Brasileiros e Internacionais de Teoria e Crítica Literária, nos quais, projetada para além das suas fronteiras geográficas mais demarcadas, Campina Grande transformava-se na tribuna da reflexão teórico-crítica mais elevada  em cujo estuário pontificava a literatura, pátria suprema da liberdade humana e indispensável exercício da fraternidade enaltecente do espírito.

Elizabeth, Elizabetíssima, disciplina férrea na elaboração de projetos que conduz com invulgar perseverança, a exemplo do que foi intitulado Literaturas Marginais e Produção de Textos, matriz da pós-graduação no curso de Letras da Universidade Estadual da Paraíba. Projeto que, impregnado de pioneirismo e singular atualização conceitual, sob os auspícios dos ventos multiculturalistas que sopram as humanidades de todos os hemisférios, tornou-se referência inafastável em nossa região e em nosso país.

Elizabeth, Elizabetíssima, da Associação Brasileira de Semiótica Regional da Paraíba, por ela trazida para a nossa terra. Da Fundação Artístico-Cultural Manuel Bandeira, a quase cinquentenária instituição chamada FACMA, que encantou a Academia Brasileira de Letras, atravessou o Atlântico e, no Velho Mundo, mostrou, nas triádicas asas da música, do teatro e da poesia, o perfeito conúbio da inteligência, da criatividade e da sensibilidade campinense. Do Clube Pensamento/Estudo/Nacionalidade – Primeira Seccional PEN da Paraíba, que, ancorada no simpático e sério lema da Informalidade em Busca do Conhecimento, já se inseriu, definitivamente, nas cenas e cenários da paisagem campinense.

Elizabeth, Elizabetíssima, mulher portadora de temperamento forte e decidido, que recusa a comodidade da neutralidade comportamental e, em direção diametralmente oposta, toma posições, não raro contundentes, sendo crítica tanto na vida do texto quanto no texto da vida, pagando, muitas vezes, o inevitável preço dos que ousam viver sob a égide do signo da autenticidade.

Elizabeth, Elizabetíssima, coreografada pela comum urdidura de virtudes e defeitos que nos tocam a todos, constituindo-se na parte que nos cabe no latifúndio da nossa congênita humanidade. Elizabeth, Elizabetíssima, amiga dos amigos, cuja ética e estética adotada é voltada para o necessário e difícil território da alteridade, dado que “somos um ser para o outro e fora do diálogo o que existe é precipício”, de acordo com a poética hermenêutica emanada do mestre Eduardo Portella.

Elizabeth, Elizabetíssima, benfeitora incomum de Campina Grande, seu berço primevo, em cujo solo ela nasceu, onde tem vivido e do qual não se tem afastado, a não ser nos momentos em que, embaixadora da literatura, ela vai, ali, acolá, além, combater o bom combate dos que sabem à luz das lições promanadas do mestre Antonio Candido, que a literatura contribui, decisivamente, para confirmar a humanidade do homem. Campina Grande, diria Roland Barthes, é a “mitologia secreta e particular” da notável intelectual Elizabeth Elizabetíssima Marinheiro.

Elizabeth, Elizabetíssima, mestra e amiga: consigno, aqui, nas setembranças desta quinta-feira vinte e dois, minhas sinceras e fraternais homenagens a tudo quanto você é e a tudo quanto tem feito em prol de nossa sempre Grande Campina. Elizabeth, Elizabetíssima, que as bênçãos de Deus continuem a fazer da sua existência, o seu esconderijo privilegiado. Que, bandeirianamente, você nunca deixe de “sentir a delícia das coisas mais simples”. Que o seu viver seja lírico e luminoso como um poema de Cecília Meireles. Sólido como a Pedra, signo basilar da poética de João Cabral de Melo Neto. E, se, drummondianamente, houver pedras no meio do caminho, a suficiente, superabundante e salvadora graça de Deus haverá de removê-las. Parabéns, hoje e sempre. E, em tempos de recorrente intertextualidade, “CoraçãoMente”.

(*) Docente da UFCG e membro da Academia Paraibana de Letras

 

Veja também

Comentários

Simple Share Buttons