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Efeitos devastadores do alcoolismo

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 28 de julho de 2022 às 10:50

Somente as famílias atingidas, direta ou indiretamente, pelo alcoolismo podem avaliar mais precisamente os males causados por esta doença terrível. Por causa dela, quantos lares foram desfeitos e quantos entes queridos foram perdidos em decorrência do uso abusivo de bebidas alcoólicas?

No âmbito familiar e no meu círculo de amizade testemunhei muitas dessas tragédias: foram primos e amigos que tiveram suas vidas abreviadas pelo alcoolismo.

No que me diz respeito, os primeiros contatos com as bebidas alcoólicas se deram na adolescência, por volta dos quatorze anos. Inicialmente, em festinhas de batizados, aniversários e casamentos. Depois, nos bares, com suas portas abertas para o vício.

Felizmente, com a ajuda de Deus, antes de completar quarenta anos, me livrei desse péssimo hábito e posso escrever sobre ele com conhecimento de causa.
Quem frequentou ou ainda frequenta o ambiente de bar deveria saber que a alegria ali reinante é ilusória e que amigos de copo não são confiáveis.

Muitos buscam os bares por diferentes motivos. Provavelmente, os garçons e donos de bares devem observar as transformações por que passam os frequentadores. De forma geral, uns chegam sóbrios e vão mudando de comportamento à medida que o álcool vai atuando no sistema nervoso central.

Alguns ficam eufóricos começam a falar alto e a contar vantagens. Uns ficam agressivos, outros depressivos. Se tiver mulher no recinto, tem deles que, sob o efeito do álcool, tornam-se galanteadores inconvenientes.

O certo é que para muitos, a porta do bar é a entrada para o inferno em vida. Quantos homens e mulheres, independente da classe social e do nível de escolaridade, perderam a dignidade, a reputação, a saúde e a vida em torno das mesas de bares?

Sobre a temática do alcoolismo, destaco dois grandes filmes que retratam de forma fidedigna os efeitos devastadores do alcoolismo na vida do ser humano: “Vício maldito” (“Days of wine and roses”), lançado nos Estados Unidos em 1962, tendo Jack Lemmon e Lee Remick nos papéis principais, e “Farrapo humano” (“The lost weekend”), vencedor de quatro categorias do Oscar, em 1946: melhor filme, melhor direção (Billy Wilder), melhor roteiro original (Charles Brackett e Billy Wilder) e melhor ator (Ray Milland).

Na música popular brasileira, o samba-canção “Regresso”, composição de Adelino Moreira, gravada pelo cantor Carlos Gonzaga, em 1958, traz em sua última estrofe o sentimento de quem perambulou pelos bares em busca de ilusões: “Se você já foi boêmio/Diga-me qual foi o prêmio/ Que ganhou na boemia/ E eu direi, sem embaraço/ Ganhei tristeza e cansaço/ Nas minhas noites de orgia”.

Na poesia, o saudoso poeta paraibano José Laurentino relatou o drama do alcoolismo em um soneto tristemente belo, intitulado “Etilismo”, publicado em seu livro “Meus poemas que não foram lidos”.

Seguem os versos do soneto: “Na conversa fiada ao balcão/numa dose de rum ou de cachaça, /vivo eu escondendo uma desgraça, /uma mágoa, uma dor, uma paixão. / A tristeza ou a dor do meu irmão, /que minh’alma sensível logo abraça; /ando eu escondido atrás da taça, /procurando, no copo, solução. /O dia é pouco, adentro a noite mansa. /O etilismo intermitente avança/e quando o sol nasce belo e reluzente, /se eu parar vem a depressão alcoólica/e me parece que uma coisa diabólica/me convida e eu bebo novamente”.

Assim como nos filmes, nas músicas e na literatura, na vida real o alcoolismo não é diferente. O preço pago pela alegria fugaz causada pela bebida alcoólica é muito alto e quem já passou por ressaca física e moral sabe disso.

Porém, só as esposas que perderam os maridos sabem o que passaram e os maridos que perderam as esposas, também. Os filhos que perderam os pais e os pais que perderam seus filhos sofrem e lamentam essas perdas pelo resto da vida, assim como os verdadeiros amigos lamentam a ausência daqueles que trocaram suas vidas pela bebida alcoólica.

E como o alcoolismo é uma doença maligna, que se instala na mente e no espírito, mesmo cientes de todas essas perdas e dores, muitos ainda insistem em continuar bebendo, iludindo-se que sabem beber e que são diferentes dos alcoólatras, sem perceber, porém, que já se tornaram um deles ao cair no laço do passarinheiro.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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