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Campina Grande - PB

Eduardo e Antonio

01/01/2018 às 17:12

Fonte: Da Redação

Por: José Mário da Silva

O mês de maio do quase findo ano de dois mil e dezessete presenciou a morte de dois dos mais autênticos intelectuais do país, dois eméritos homens de letras, para quem a literatura, na esteira do preconizado por Machado de Assis, sempre se constituiu numa espécie de segunda alma. Eis o código onomástico sinalizador da mais elevada qualificação: Eduardo Portella e Antonio Candido, visitados pela Indesejada das gentes quase na mesma semana do mês de maio.

Eduardo Portella foi, no lúcido dizer de Marco Lucchesi, um “poeta do ensaio”, portador de uma elegância estilística incomparável, um verdadeiro artista da palavra, para quem “no jogo da verdade a crítica é criação”, fundamento indesviável da sua criativa e poética hermenêutica.

Além de ensaísta primoroso, Eduardo Portella foi um educador completo, que fez da sala de aula, até os últimos dias da sua longeva existência, o seu campo privilegiado de atuação, pois sempre soube que “somos um ser para o outro e fora do diálogo o que existe é o precipício”. Por fim, seu visionarismo empreendedor o impeliu a fundar, ao lado do irmão Franco Portella, as Edições Tempo Brasileiro, uma tribuna que, dialética e desfronteirizadamente, fez do Brasil e do mundo, o ponto de partida e de chegada de todas as suas cogitações.

Mestre Antonio Candido, por seu turno, no transcurso da sua fecunda atividade crítica, acumplicou apreciação estética com vigilante interesse social, pondo em prática um ensaísmo que, ancorado no porto das estruturas internas do texto, nunca as desconectou de sua indiscutível função social, lição primacial do seu paradigmático texto: a literatura e a formação do homem. Eduardo Portella e Antonio Candido são a prova de que “para além da morte do poema permanece a dimensão poética da existência”.

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