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É carnaval

Jurani Clementino. Publicado em 9 de fevereiro de 2018.

Por Jurani Clementino (*)

A partir de hoje o Brasil se transforma numa grande festa popular. Dizem que o ano só começa quando passa o carnaval. Portando 2018 vai dar início na semana que vem. Após a quarta-feira de cinzas. Depois que forem fechadas as cortinas da festa de Momo.

Os polos concentradores dessa folia, ao que tudo indica são: os desfiles das escolas de samba em São Paulo e Rio de Janeiro, o circuito Barra/Ondina em Salvador, Bahia, as ladeiras de Olinda e o centro do Recife Antigo em Pernambuco… É para lá que todos desejam ir. É em alguma dessas cidades que noventa por cento dos brasileiros gostariam de estar em fevereiro.

Mas por se constituir, em discurso, como uma festa democrática, faz-se carnaval em todo canto. Em toda praia ou nos sertões. De tanto falarem sobre a festa carnavalesca de minha terra, Várzea Alegre, estive um ano na cidade, em fevereiro, para conhecê-la. Já faz um tempo. Passei dois dias observando o movimento. Assisti aos desfiles das escolas de Samba, uma delas, trazia numa das alas, uma homenagem a Zé Clementino. Observei tudo de longe. Realmente a cidade ferve. Atrai gente de toda parte. Mas culturalmente falando é uma festa comum a tantas outras cidades do interior do Nordeste.

Com o discurso de que é um carnaval diferente, fui, por duas vezes, conhecer a festa de Recife e Olinda. Multidão dia e noite. Em becos, ladeiras e por entre os prédios históricos da cidade. Assim como em Várzea Alegre, Olinda dá espaço a um público jovem. São os jovens que invadem aquelas ladeiras. Também é preciso saúde e disposição pra enfrentar aquele sol quente e acompanhar as dezenas de pequenos blocos carnavalescos improvisados que tocam de tudo.

Ah, é bom destacar que naquela cidade pernambucana tudo se transforma em frevo. Sertanejo, funk, forró são estilos adaptados ao ritmo pernambucano. Não tem esses paredões de som que doem nos ouvidos. Arriscaria dizer que é, de fato, uma festa um tanto quanto diferente das outras. Que, de maneira geral poluem a cidade com um barulho sem identidade musical ou estilística. Apenas um barulho isurdecedor. Mas o momento é de festa e muitas vezes de transgressão da ordem estabelecida. É momento de liberdade.

Não conheço pessoalmente os carnavais carioca, baiano nem paulista. Não sei se teria saúde praquela Sapucaí ou pra percorrer o circuito Barra/ondina. A agitação de Várzea Alegre e Olinda já me basta. A gente vai ficando velho e essas festas vão perdendo a sua magia. O mundo parece mesmo ser desses jovens. Por isso, aproveitem, com responsabilidade, claro. Bom carnaval a todos. Vou ali, na praia, pedi a bênção a Iemanjá.

Campina Grande – 09 de fevereiro de 2017

(*) Jornalista, escritor, professor

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

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