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Dom Manoel Delson: O amor sempre eleva!

Dom Delson. Publicado em 18 de agosto de 2020 às 7:52

Uma das principais características do amor cristão é a elevação. O verdadeiro amor sempre eleva o outro, dá sentido e estende a mão. Estamos celebrando neste domingo a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Trata-se de um dogma mariano muito antigo na devoção e na fé do povo, mas tal dogma só fora definido pela Igreja em 1950. E qual a grande mensagem que a Igreja quer passar ao nos fazer celebrar a Assunção de Maria? A resposta é bastante simples, mas carregada de um profundo valor: “Maria foi elevada ao Céu em corpo e alma: também para o corpo existe um lugar em Deus” (Papa Emérito Bento XVI).

Quando o anjo Gabriel se retira da presença da Virgem Maria, depois da Anunciação, ela coloca seu corpo numa inteira disponibilidade aos irmãos, ou seja, se coloca toda inteira nas relações. Maria vai ao encontro de sua prima Isabel, que também está grávida: “Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo” (Lc 1,38-41). O Mistério de Deus na vida e missão de Nossa Senhora nos faz pensar bastante no quanto devemos, por amor, tornar Deus grande no mundo, nas relações humanas. A nossa relação com Deus não pode limitar-se à esfera do privado. Tornemos grande Deus na vida pública e na vida privada. O que significa tamanha grandeza? Dar espaços todos os dias a Deus na nossa vida.

A humanidade assiste escandalosamente o avanço da glamourização do aborto. Arrumam-se termos sofisticados e justificativas “plausíveis” para negar o direito fundamental e natural: o de nascer. A elevação de Maria ao céu, de corpo e alma, não é uma historinha caduca da Igreja, mas um evento contido na nossa história de salvação. Ela foi assumida por Deus em vista da salvação de todos os homens, e também em vista da conversão dos “pregadores” da cultura antivida.

Neste domingo também celebramos a vida e a missão dos religiosos/consagrados da Igreja. A vida religiosa presta um grandioso e necessário serviço de amor, do amor que eleva e dignifica. Quantos de nós foram catequizados por freiras. Foram estas, muitas vezes, na vida paroquial, as consagradas que nos mostraram a centralidade do lugar de Deus em nossas vidas. O Papa Francisco, em uma de suas muitas falas sobre a vida consagrada, fez ecoar as seguintes palavras: “A vida consagrada” é olhar que vê Deus presente no mundo, embora a muitos passe despercebido; é voz que diz: ‘Deus basta, o resto passa’; é louvor que brota apesar de tudo”.

Peçamos à Nossa Senhora a graça de “compreendermos que também para nós a terra não é a pátria definitiva e que, se vivermos voltados para os bens eternos, um dia partilharemos a sua mesma glória e também a terra se tornará mais bela” (Papa Bento XVI). Meu muito obrigado a todos os religiosos e religiosas que entregam suas vidas a Deus, em favor do povo, na nossa querida Arquidiocese da Paraíba. E jamais se esqueçam: o amor sempre eleva!

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