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Dom Manoel Delson: O amor não prende

Dom Delson. Publicado em 24 de maio de 2021 às 11:24

O maravilhoso dom do Espírito Santo, recebido no dia do nosso Batismo, fala-nos constantemente que Deus não abandona seus filhos. O Senhor prometeu enviar o Paráclito: “(…) que nos tornaria capazes de receber a Deus. Assim como a farinha seca não pode, sem água, tornar-se uma só massa nem um só pão, nós também, que somos muitos, não poderíamos transformar-nos num só corpo, em Cristo Jesus, sem a água que vem do céu” (Santo Irineu). O Espírito Santo, além de nos santificar, Ele nos une ao Cristo Ressuscitado e faz com que sejamos um também com nossos irmãos.

O Domingo de Pentecostes ainda é fruto da manhã da Ressurreição. É o Ressuscitado que nos comunica o fogo do amor de Deus. Que tipo de luz o mundo necessita? São muitas as façanhas humanas, e muitas destas são belas, mas, há uma iluminação que só pode vir da graça de Deus. O mundo, tão sacudido pelas ondas das ideologias, necessita unicamente da luz que vem de Deus. Sem Deus e sem a Sua graça, não podemos fazer nada!

Ainda estamos sendo sacudidos pelo prolongamento da pandemia. O que fazer? Desanimar? O Espírito Santo é consolo que acalma. Ele é doce alívio! O consolo de Deus não nos paralisa num conformismo ingênuo, mas nos põe no lugar daqueles que confiam em Deus, e confiam em tudo! “Se tirais o seu respiro, eles perecem e voltam para o pó de onde vieram; enviai o vosso Espírito e renascem e da terra toda a face renovais.” (Sl 103)

Celebrar Pentecostes significa celebrar a confiança no amor constante de Deus. Não estamos entregues a nós mesmos, mas temos um Defensor, o Espírito Santo, que nos foi dado para caminhar neste mundo. Naquele dia de Pentecostes, a Igreja se manifestava publicamente e na sua voz saltava o feliz anúncio que ecoa até os nossos dias: Deus ama todos os homens! O amor não nos prende a círculos, mas rompe nossas fronteiras.

“O Espírito não quer que a recordação do Mestre seja cultivada em grupos fechados, em cenáculos onde tendemos a ‘fazer o ninho’. E esta é uma doença má que pode vir à Igreja: uma Igreja não comunidade, nem família, nem mãe, mas ninho. O Espírito abre, relança, impele para além do que já foi dito e feito, Ele impele para além dos recintos duma fé tímida e cautelosa.” (Papa Francisco)

Peçamos à Virgem Maria, a Esposa do Espírito Santo, que nos eduque na escola de santidade de Seu Filho Jesus. Que sua prece de Mãe nos acompanhe, principalmente, quando nos faltar o ardor apaixonado pelo anúncio de Cristo.

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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.

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