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Dom Genival Saraiva: Prática do bem

Dom Genival Saraiva. Publicado em 23 de março de 2020 às 19:28

As pessoas passam por situações que têm a forte linguagem da solidariedade ou da indiferença em sua vida, por parte de seus semelhantes. Em se tratando de comportamento coletivo, identificam-se casos que manifestam esses mesmos sentimentos. Em qualquer contexto, é muito eloquente a linguagem da solidariedade, enquanto é muito dolorosa a atitude de indiferença. Os cristãos encontram em Jesus Cristo a personificação da solidariedade, conforme ensinam os textos bíblicos, porque sempre fez o bem a todos. Em face dos milagres que Jesus realizava, conforme o Evangelista Marcos, o povo o admirava e reconhecia a prática do bem em sua vida: “Tudo ele tem feito bem. Faz os surdos ouvirem e os mudos falarem. (Mc 7,37)” Pedro, por sua vez, em sua pregação aos judeus, disse: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo proclamado por João: como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder. Por toda a parte, ele andou fazendo o bem, e curando a todos que estavam dominados pelo diabo; pois Deus estava com ele. (At 10,37-38)”

Em qualquer contexto, é muito eloquente a linguagem da solidariedade, enquanto é muito dolorosa a atitude de indiferença

Na história dos santos e santas, do passado, como São Gregório de Nazianzo (séc.VI), São Vicente de Paulo (séc. XVII) e do presente, como Santa Teresa de Calcutá e Santa Dulce dos Pobres, a prática do bem, mais do que motivo para admiração de Jesus, tornou-se causa de um discipulado ativo. A respeito do amor aos pobres, disse São Gregório num de seus Sermões: “Nada se deve interpor entre a tua resolução e o bem que vais fazer. Só a prática do bem não admite adiamento. ‘Reparte o teu pão com o faminto, acolhe em tua casa os pobres e peregrinos’ (Is 58,7), com alegria e presteza. Quem se dedica a obras de misericórdia, diz o Apóstolo, ‘faça-o com alegria (Rm 12,8). […] Devemos alegrar-nos, e não entristecer-nos, quando prestamos algum benefício.” São Vicente de Paulo, diante dos pobres, viveu aquilo que ensinou: “Devemos ter os mesmos sentimentos de Cristo e imitar aquilo que ele fez: ter cuidado pelos indigentes, consolá-los, auxiliá-los, dar-lhes valor. […] Deve-se preferir o serviço dos pobres a tudo o mais e prestá-lo sem demora. Se na hora da oração for necessário dar remédios ou auxílio a algum pobre, ide tranquilos, oferecendo a Deus esta ação como se estivésseis em oração. Não vos perturbeis com angústia ou medo de estar pecando por causa de abandono da oração em favor do serviço dos pobres. Deus não é desprezado, se por causa de Deus dele nos afastarmos, quer dizer, interrompermos a obra de Deus, para realizá-la de outro modo. Portanto, ao abandonardes a oração, a fim de socorrer a algum pobre, isto mesmo vos lembrará que o serviço é prestado a Deus. Pois a caridade é maior do que quaisquer regras, que, além do mais, devem todas tender a ela. E como a caridade é uma grande dama, faz-se necessário cumprir o que ordena. Por conseguinte, prestemos com renovado ardor nosso serviço aos pobres; de modo particular aos abandonados, indo mesmo à sua procura, pois nos foram dados como senhores e protetores.”

Conhecida como a “Santa das Sarjetas”, Santa Teresa de Calcutá quis “dedicar toda sua vida aos mais pobres dos pobres.” Ao beatificá-la, em 2003, disse o Papa João Paulo II: “sua vida é um testemunho da dignidade e do privilégio do serviço humilde. Ela escolheu ser não apenas a menor entre os pequenos, mas a serva dos pequeninos. (…) Sua vida foi uma vivência radical e uma proclamação audaciosa do Evangelho”. De sua parte, Irmã Dulce dos Pobres, vivendo sua condição de mulher consagrada, cultivou a santidade mediante um contínuo, dedicado e generoso serviço aos pobres. Sua confiança na Providência Divina motivou-a a iniciar um trabalho de grande alcance social, com muitas dificuldades, que hoje tem o reconhecimento da população.

Praticar o bem não é exclusividade de homens e mulheres que a Igreja reconheceu, oficialmente, como santos e santas. Na verdade, isso é dever de todos. Enquanto procuraram ou procuram fazer o bem, os cristãos guardam na memória do coração o contexto e a forma como ocorreu sua relação com Jesus que, sem dúvida, tem uma raiz mais profunda do que a simples admiração de um taumaturgo.

A Campanha da Fraternidade 2020, com o tema “Fraternidade e vida: dom e compromisso”, iluminada pelo lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”, (Lc 10, 33-34), tem a finalidade de educar as pessoas para a defesa da vida e o compromisso com a prática do bem, a exemplo do bom samaritano.

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*Administrador Apostólico da Arquidiocese da Paraíba

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