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Campina Grande - PB

Do outro lado do rio

07/08/2017 às 8:54

Fonte: Da Redação

Por Rafael Holanda (*)

Um médico francês disse uma frase que expõe toda verdade percorrida pela estrada dos que praticam a arte da cirurgia, e buscam por mecanismos maiores o direito de vencer uma patologia.

Ao afirmar em seu livro: “Todo cirurgião carrega dentro de si um pequeno cemitério ao qual comparece de tempos em tempos, para fazer uma oração.

E isto é uma grande verdade, pois nós que vivemos na eterna trocar de passe entre a vida e a morte guardamos em nossas intimidades os dias de alegrias e os dias de lágrimas.

Todos os dias guardamos com ternura aqueles que partiram, sem que os nossos atos fossem capazes de trazê-los de volta, e com isso carregamos os nossos fardos de dores e saudades.

Quantas vezes buscamos encontrar uma maneira de compartilhar o bom e durante as nossas lutas tudo se torna diferente, e o que gostaríamos de explicar se perde na palavra guardada de um sonho não concluído.

Qualquer cirurgia é delicada, as ações que fogem de nossas mãos não são ocasionadas por imperícia, mas pelos milímetros que nos separam do parar para a catástrofe.

Os longos anos de ofício nunca chegaram a roubar o nosso fascínio, apesar das dificuldades, das coisas que buscamos e não encontramos, permanecemos a trazer para vida muitos que aos olhos da vida se encontravam mortos.

A luta no campo da cirurgia é fantástica, de um lado a patologia que destrói esperanças de alguém que sofre, do outro lado os cirurgiões que se desdobram em partículas divinas com o intuito de se tornar vencedor.

O sentimento de amor corre de forma mansa na intimidade dos que abraçaram a medicina com a finalidade de se tornar esperança na vida dos que sofrem, e com isso, vencem mais que perdem.

Os cirurgiões reconhecem que: Numa atividade em que os sucessos não podem ser mais luminosos, se faz necessário se contrapor aos fracassos, para que Deus permita seu sonho de paz.

(*) Médico

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