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Discursos paralelos – Gilberto Mendonça e a crítica dos prefácios

José Mário. Publicado em 1 de outubro de 2018 às 10:33

* AUTOR – JOSÉ MÁRIO DA SILVA

* DOCENTE DA UFCG / DA ACADEMIA PARAIBANA DE LETRAS

Para Elizabeth Marinheiro, MestrAmiga.

Publicado pelo Instituto Casa Brasil de Cultura – Goiânia, Discursos Paralelos – A Crítica dos Prefácios assinala mais um marco criativo na profícua trajetória de Gilberto Mendonça Teles, em cujo estuário as atividades de professor universitário, de estudioso da cultura brasileira, de poeta consagrado e de crítico literário exemplar consorciam-se magistralmente.

Autor de inúmeras obras no campo da ensaística literária, a exemplo da clássica obra de referência: Vanguarda Europeia e Modernismo Brasileiro, que é um livro de consulta obrigatória para o estudioso do fenômeno literário, em Discursos Paralelos – A Crítica dos Prefácios, Gilberto Mendonça Teles reúne o impressionante número de quase cento e cinquenta prefácios que escreveu, ao longo de aproximadamente quarenta e sete anos, parte significativa e incansável de um itinerário profissional obsessivamente devotado ao convívio com a literatura, traduzido por um permanente corpo a corpo com o texto literário em suas mais variadas modalidades de manifestação.

Tal multiplicidade de prefácios elaborados com rigor científico e acendrada paixão estética mostra, à exaustão, que o eminente mestre goiano trabalhou, e de modo duro, no ofício cotidiano de emérito apreciador das criações literárias alheias. Passando ao largo da indiferença, do ódio e da camaradagem, que se constituem nos três vícios letais a serem evitados pelo crítico literário, de acordo com o paradigmático dizer de Machado de Assis no imortal ensaio

O Ideal do Crítico, Gilberto Mendonça Teles o que faz, na verdade, é a aferição honesta de obras sobre as quais se debruçou, jamais abrindo mão da autonomia intelectual de que se deve revestir o ato/processo da investigação literária, o exercício da crítica literária, o mais solitário dos ofícios no dizer do mestre português Fidelino de Figueiredo.

Aqui reside um dos pontos altos do livro do professor Gilberto Mendonça Teles, a sua capacidade para pensar desassombrada e independentemente, ainda que os juízos críticos expendidos, como tudo o que é humano, demasiadamente humano, não tenham, graças a Deus, o sinete da infalibilidade.

Presença congênita e inerradicável na natureza humana, a vaidade faz com que frequentemente nos autovisualizemos com uma lente de aumento, sem a humildade para aceitarmos o olhar crítico que nos aponta os defeitos e nos repõe ao devido lugar. Quem escreve um livro, normalmente pensa que é Dante. Quem escreve um livro, por vezes, se julga Deus. De fato, a megalomania dos homens é descomedida.

Os prefácios urdidos por Gilberto Mendonça Teles propõem-se a ser crítica literária pura e simples, na melhor acepção semântica que essa arte-ciência deve assumir no desbordante universo da literatura, em cujo interior para além de todas as filigranas e luminosas invenções da linguagem, o que pontificar mesmo é o homem e o singular mistério da existência.

Quanto tal patamar é deixado de lado, a literatura entra em perigo, conforme as lúcidas advertências emanadas dos arrazoados de Tzvetan Todorov. Por fim, ressalte-se no magistério de Gilberto Mendonça Teles a presença comovente de um indeclinável amor pela literatura e pela palavra, indesviável senha por meio da qual, transfigurada, a realidade mostra-se mais profunda e libertária.

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