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Dia da Mulher

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 11 de março de 2018 às 20:04

Tudo teve começo há exatos 161 anos, no dia 8 de março de 1857, nos Estados Unidos. Foi quando operárias de uma fábrica têxtil de Nova Iorque se sublevaram.  Elas recebiam, por igual tarefa, 1/3 do salário dos homens e cumpriam uma jornada diária de 16 horas, que desejavam reduzir para 10. Como castigo, foram trancafiadas em uma das fábricas e houve um grande incêndio que matou aproximadamente 130 operárias.

Como homenagem a essas heroínas, em 1910 foi escolhido o 8 de março como DIA INTERNACIONAL DA MULHER, ponto de partida para uma longa jornada de reconhecimento do papel fundamental da mulher na construção do mundo e o seu direito insofismável de igualdade.

De fato, forçoso reconhecer que muitos progressos foram alcançados nesse mais de um século e meio, mas ainda estamos longe de atingir a justa organização social em que todos os indivíduos tenham os mesmos direitos. Segundo a Organização Internacional do trabalho, “ao longo de sua vida profissional, as mulheres continuam a enfrentar obstáculos os mais variados no acesso a empregos dignos”.

As mulheres evoluíram mais que os homens na educação, mas, nem por isso, as oportunidades de emprego aumentaram de forma significativa. Os níveis de desemprego são maiores para as mulheres e os salários são mais baixos na média.  No mundo, as oportunidades de trabalho dos homens são de aproximadamente 27 pontos acima das chances das mulheres.

No Brasil somos 51,6% de mulheres e 48,4% de homens, diferença de mais de seis milhões de pessoas, uma vez e meia a população da Paraíba. Mas a taxa de desocupação das mulheres é 27,6% maior que a dos homens. No Nordeste as taxas de desocupação são de 14,4% para os homens e de 17,7% para as mulheres.

Ademais, as mulheres são sobrecarregadas como trabalhadoras sem remuneração ao cuidar dos afazeres domésticos, ou em alguma modalidade de trabalho informal. Com menos tempo disponível, as mulheres ficam impossibilitadas de acessar a uma atividade remunerada plena, sujeitas, portanto, a fazer “bicos”.

Mas isso não se restringe unicamente a nós no Brasil ou a outros países periféricos. Tanto nos países desenvolvidos como nos em desenvolvimento, o trabalho não remunerado é proporcionalmente maior entre as mulheres.

A OIT calcula que mantidas as tendências atuais, serão necessários 70 anos para eliminar as disparidades salariais de gênero, que são hoje de 23%. O homem tem um salário de 100 e a mulher de 77.

A injustiça, a diferença, não é de hoje, começou a milênios, ainda nos 6.000 anos que durou a Era Paleolítica, também chamada de Revolução Agrícola.

Nas primeiras comunidades humanas, a mulher ocupava, em certos casos, uma posição de superioridade em relação ao homem, ou no mínimo de igualdade.     A importância da mulher residia na circunstancia de que criou e difundiu comportamentos culturais e de conhecimentos acumulados pelo grupo, transferindo-os às novas gerações.

Até certo ponto, não é exagero afirmar, que a transformação do homem caçador-nômade, em agricultor-sedentário, foi obra das mulheres, assim como a domesticação dos animais (origem da pecuária), a fabricação da cerâmica, a fiação e a tecelagem (linho e algodão), a medicina caseira etc.

Gradativamente as mulheres tiveram diminuída essa ascendência, passando a exercer um papel secundário na sociedade que, infelizmente, persiste até hoje.

Seria de todo conveniente não perder de vista o que conclui a OIT, ao dizer que “para alcançar uma efetiva igualdade entre homens e mulheres no trabalho, é essencial que as sociedades reconheçam que ambos, homens e mulheres, têm o direito e a responsabilidade de trabalhar e prestar cuidados”.

Ouso dizer, sem medo de errar, que esse conceito deve se estendido a todas as atividades humanas, e não apenas ao trabalho. Os desafios da humanidade são tão grandes que, na solução dos problemas, não poderemos, jamais, prescindir da maior parte da população, que é constituída de mulheres, mesmo porque elas são tão competentes quanto os homens.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

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