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Desses amores de cinema

Ribamildo Bezerra. Publicado em 20 de agosto de 2016 às 16:41

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Foto: Paraíbaonline

“Se me perguntassem , eu poderia escrever um livro sobre a maneira que você anda , sussurra e olha. Eu poderia escrever um prefácio como nos encontramos, assim o mundo nunca se esqueceria E o segredo seria simples, pois seria justo lhe dizer eu te amo, aquele muito há muito guardado. Então o mundo descobriria nas extremidades do livro, como fazer dois amigos dois amantes”

I Could Write A Book – Richard Rodgers 

Tal qual a personagem Cecília, vivida por Mia Farrow no filme A Rosa Púrpura do Cairo, além do amor pelo cinema, ele também descobriu através do cinema o seu tipo de amor. Ao contrário de Cecília ele nunca teve a esperança do mocinho sair da tela e se apaixonar pela espectadora, mas sempre nutriu o desejo de que sua vida também fosse um daqueles enredos que tanto o emocionaram no cantinho da sala escura.

O mundo lá fora sempre muito crível, não abria espaço para suas inofensivas ilusões. A verdade é que sempre apostou no bom humor, na boa música, e até uma certa elegância, tais características absorvidas nas comédias românticas geralmente passadas em Nova York sempre em épocas natalinas. Simplesmente amava o término de algum filme tendo como imagem ao fundo a Árvore Natalina do Rockfeller Center, a Empire State ou a Ilha de Manhattan. Sempre buscava palavras que ele mesmo chamava de lantejoulas para dar destaque à forma refinada de expressão.

A verdade é que o nosso herói seguidas vezes sabia de forma consciente que a vida em nada correspondia aquilo que outrora imaginava. Tinha consciência de que tais histórias foram criadas por alguém que assim como ele nutria a mínima, mas flamejante esperança, de que em algum lugar o seu happy end aconteceria.

No cinema pôde presenciar repetidas vezes, história de amantes que foram forjados pelo tempo, onde as cicatrizes pessoais de cada personagem era elo de aproximação entre o mocinho e seu par na história. Sabia de cor o nome das histórias que traziam esse enredo.

Pela sequência : Harry e Sally – 1º Lugar, Casablanca 2º lugar , e tinha espaço para um recente filme nacional , consumido de forma descompromissada a base do guaraná e pipoca, uma pérola recém-escoberta de nome “Mais um Vez Amor”. Existiam outros títulos, claro, mas pelos menos uma vez por mês revia tais obras com o mesmo impacto da primeira vez.

A sua vida particular, nunca trouxe nada de extraordinário até então, com exceção daquele dia singular onde numa espécie de trama do destino pôde reencontrar uma de suas importantes histórias vividas no mundo real. O acaso numa tarde tão comum, reuniu duas pessoas que aparentemente seguiam rumos distintos; uma intercessão na vida dos dois.

Ele sabia diante daquele corpo que um dia foi seu, naquele motel de segunda, que aquele era o seu filme e diante de si a sua mocinha com marcas de uma vida sem enredo previsto brilhava para ele. Por um instante tentou solfejar alguma de suas canções prediletas: “IT HAD TO BE YOU” ou um Eu te amo à la Billy Cristal para sua Meg Ryan. Não conseguiu. Sabia que soaria canastrice demais. Reconheceu o som jazzístico de Nora Jones vindo do quarto ao lado. Era trilha sonora ideal. Não se via mais sozinho no seu mundo de refinamento. Lembrou de ter ouvido a seguinte frase : “Não vim ao mundo a trabalho, mas sim a passeio”, não sabe se dito por ele ou por ela. E como não poderia faltar humor nas suas histórias, riram muito quando na hora “H” , ele teve uma crise de câimbras.

Do amor que um dia tanto imaginou ser glamouroso, ganhava uma outra face: a de surpreendente e fugaz. Ao beijar a testa em tom de despedida da sua companheira, compreendeu que tais sentimentos era uma dádiva para poucos. Acabara de viver o seu eterno amor de um dia só. A chuva começava a cair. Olhou para o céu e mentalmente agradeceu aos ‘Redatores Celestiais’ aquele singelo presente. Já não precisava mais de filmes para rever uma bela história de amor.

Uma ficção que todo mundo gostaria que fosse real.

RIBAMILDO BEZERRA – JORNALISTA

 

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Ribamildo Bezerra

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