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Despreparo ante às crises

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 27 de março de 2019 às 11:13

O recente episódio representado pela crise no abastecimento d’água em Campina Grande, traz à tona o completo despreparo, que não é técnico/profissional, de algumas instituições responsáveis pela oferta de serviços públicos essenciais, afetando a todos com maior ou menor intensidade e causando enormes prejuízos. Foram dias de pânico de pessoas em busca de água, parecendo a aflição de habitantes de certas regiões da África, como Moçambique, diante de situações adversas – fome e sede, por exemplo.

Para começar a indiferença do Governador do Estado, alegando outros compromissos que, por mais importantes que pudessem ser, nada significam ante um problema tão grave.  É verdade que o Governador não iria ficar à frente da resolução do problema da CAGEPA, mas na vida pública, os gestos falam mais alto. O simples fato de sua presença em Gravatá, no primeiro instante, já seria uma sinalização suficiente para mostrar a preocupação do Governo. A pesada agenda do Governador não seria muito afetada.  O Prefeito Romero Rodrigues foi na mesma pisada, só se pronunciando dias depois e apelando para o velho carro pipa. Tanto o Governador como o Prefeito trocaram farpas, esquecidos que não estavam num palanque e que a colaboração mútua traz ótimos resultados.

Outros estadistas no Brasil e no Mundo, adotaram, ou não, atitudes que mostram o grau de preocupação ou despreocupação com o bem-estar das pessoas.

Na passagem do furacão Katrina por Nova Orleans, em 2005, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi acusado de ter demorado a agir para minimizar os danos provocados pelo destruidor evento, que deixou 1,8 mil mortos e 1 milhão de desabrigados.

No aniversário de 10 anos do gravíssimo acontecimento, o Presidente de então, Barack Obama, afirmou que a tragédia não foi apenas uma “terrível catástrofe natural”, mas também um “fracasso” do governo em responder rapidamente à emergência.

Recentemente, no desastre de Brumadinho, o Presidente Jair Bolsonaro foi dos primeiros a sobrevoar a região, falar com os responsáveis pela operação e cobrar as providencias que se faziam necessárias. Ele, evidentemente, não tinha como pegar na pá e na enxada.

E aqui, na terra de Teodósio de Oliveira Ledo, como alhures, o que vimos foi a amostra de como estamos despreparados por enfrentar problemas generalizados em coisas que interferem na vida do cidadão: educação, saúde, água e esgotos, energia elétrica, segurança pública, mobilidade urbana, etc.

Por serem setores que não têm uma causa única e levam ao desconforto de todos ou de muitos, não poderiam ser tratados, como aqui, sem a integração dos responsáveis ou interessados diretos ou indiretos pela condução da atividade. Qual o resultado prático da iniciativa do PROCOM em multar a CAGEPA, por exemplo? Ou da Defesa Civil ficar orientando para a colocação de pastilhas de cloro na água distribuída emergencialmente? Mas parecia “cego em tiroteio” no dizer popular.

Talvez fosse exequível montar um comitê de gerenciamento de crises – sem estrutura formal e sem a nomeação de aspones com alta remuneração, como já se tornou comum – em que os os envolvidos em questões similares trouxessem à mesa os seus problemas cotidianos, as medidas de prevenção, os planos para emergências e o que pode ser trazido pela colaboração dos demais. Tudo isso sem afetar a função precípua e sem invasão do espaço de cada um.

A CAGEPA possui, certamente, um mapa de áreas críticas que exigem uma manutenção diferenciada. Igualmente a ENERGISA. Na segurança, o louvável trabalho das Polícias Civil e Militar, que sabe quais as zonas de maior violência e aquelas mais sujeitas a danos ao patrimônio público.

E que a Defesa Civil, que pode dar grande contribuição, deixe de aparecer apenas após o desastre. Ânimo não lhe falta e conhece bem do ofício.

Igualmente a STTP e a Guarda Municipal devem trazer sua expertise para esse ambiente de gerenciamento a custo zero de problemas que afetam tão de perto a comunidade.

Chorar pelo leite derramado nunca foi consolo e jamais resolveu as situações complicadas.

Que tal sentarem-se todos e concertarem o que cada um pode e vai fazer, imbuídos do propósito de cooperação, e que sejam propostas medidas eficazes que evitem repetições do triste quadro de hoje.

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Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

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