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Desinformação sobre vacinas

Ailton Elisiário. Publicado em 12 de janeiro de 2022 às 9:30

Desde que eclodiu a pandemia em 2020 que diversos laboratórios começaram a produzir vacinas contra o Covid-19. Essas vacinas, porém, enfrentam contestações, sempre tendo por base o tempo mínimo necessário para a produção de qualquer vacina, que costuma ser de cerca de 10 anos em média. Mas, não só esse fator, também a metodologia de fabricação, que alguns laboratórios estão utilizando novos conceitos, distanciando-se da metodologia tradicional.

O Programa Nacional de Imunização brasileiro conta com 3 vacinas aprovadas e utilizadas no mundo: a CoronaVac produzida pela Sinovac, a Covishield produzida pela Oxford-AstraZeneca e a Cominarty fabricada pela Pfizer-BioNTech. A CoronaVac utiliza a tecnologia de vírus inativado, com eficácia atualmente de 64%. A Covishield utiliza um vírus de chimpanzé modificado para carregar o código genético do Sars-CoV-2, com eficácia de 70%. A Cominarty utiliza o ácido ribonucleico (RNA) para levar ao organismo o código genético da proteína da espícula (coroa) que dá nome ao coronavírus, não havendo nenhum vírus morto, vivo ou modificado neste imunizante, que tem eficácia de 80%.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil está produzindo 18 vacinas e todas em estágio inicial. As que se mais se apresentam promissoras são a ButanVac, do Instituto Butantan, a Versamune, da Universidade de São Paulo e a Spintec, da Universidade Federal de Minas Gerais. Daí, pois, a explicação de não imunização total, podendo considerar que todas elas são ainda experimentais. Por isto que, mesmo vacinado, o usuário não está livre de ser contaminado.

Informações sobre as vacinas são as mais diversas. São tantas as postagens nas redes sociais a favor e contra a vacina, que levam as pessoas a uma terrível indefinição, propiciando o incremento de confrontos na luta ideológica que se estabeleceu no país, que grande mal tem causado ao povo e às instituições. Agora se coloca nova discussão pertinente à vacinação de crianças, fomentando-se um perigo de complicações cardíacas. Contrárias à vacina infantil, posições de figuras públicas do Governo se conflitam com as próprias decisões institucionais e provocam insegurança à população.

O que se torna necessário e imprescindível é que as pessoas sejam informadas das vacinas em todos os seus aspectos, pelos órgãos oficiais da saúde pública, o que não tem ocorrido. A desinformação parece ser algo perpetrado para que haja balbúrdia e desconfiança entre as pessoas. Enquanto se gastou tempo e dinheiro com uma Comissão Parlamentar de Inquérito que desde sua formação mostrou-se tendenciosa, melhor teria sido que se gastasse tempo e dinheiro para informar com honestidade a população, dos benefícios advindos da livre escolha de ser vacinada, sabendo-se que é melhor ter algo que possa contribuir mesmo minimamente que não ter absolutamente nada.

Já passou da hora de se levar a sério a pandemia e as medidas de combate em favor da vacinação. Não é cabível o debate ideológico e eleitoreiro, inclusive, com as questões que envolvam a saúde e a própria vida das pessoas. É lamentável, muito lamentável, é de causar indignação que ainda se desdenhe a vida humana em troca de interesses privados e projetos de poder.

A vacina erradicará a pandemia, mesmo que não extermine o vírus definitivamente. A pandemia dará lugar à endemia e a humanidade com o vírus conviverá. O que falta para isto é o compromisso político e social, a boa vontade de todos aqueles que têm a grande responsabilidade de servir ao povo.

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Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

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