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Desigualdades persistentes

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 7 de agosto de 2019 às 11:20

Foto: Paraibaonline

Em comentários anteriores, temos enfatizado a dramática disparidade espacial do desenvolvimento do Brasil, entre as cinco regiões em que se divide, e que se manifesta em qualquer indicador escolhido.

O resumo disso tudo é, sem dúvida, que o PIB per capita do Nordeste, continua, há muitas décadas a partir dos primórdios do século XX, persistentemente em torno de 50% da média nacional. Temos 27,5% da população do país, e a participação da região na formação do PIB nacional, que em 1950 era de 12,64%, passou a 13,84% em 2010, e, em 2017, baixou para 13,21%. Na Paraíba, da 4ª melhor posição no ranking dos estados nordestinos, ocupamos, hoje, a 6ª posição.

E quando se fala de emprego, as coisas não são diferentes. Com efeito, nossos indicadores de emprego estão bem abaixo dos de outras regiões. Os quadros a seguir, que têm por base dados do Ministério do Trabalho e do Emprego, em junho de 2019, mostram isso.

A percentagem de pessoas empregadas no Nordeste, em média 14,92, é muito inferior aos estados mais desenvolvidos – Santa Catarina (31,51), Goiás (22,36) e São Paulo (29,11) – sendo superior ao Pará (12,77).

Na sequência, mostraremos o peso da máquina pública no quesito emprego, fato que confirma estudos e pesquisas de que quanto menos desenvolvida a região ou o estado, tanto maior será a dependência do poder público na ocupação de pessoas.

Aqui mesmo, na Paraíba, existem municípios em que, na prática, a quase única opção de emprego é na prefeitura, sobrando pouco dinheiro para as atividades do dia a dia.

Com exceção do Estado do Maranhão (39,29), a Paraíba tem o maior percentual de pessoas dependendo de emprego público (38,08), ou seja, 6,04% da população, e isso representa esforço redobrado dos governantes, a fim de manter a máquina funcionando sem prejuízo dos serviços essenciais. Mas esse estrago nas contas públicas acontece, infelizmente, com frequência.

Por outro lado, ainda como retrato das desigualdades, temos que o salário médio das pessoas, que no país é de R$ 2.973,23, está 23,53% acima do nosso resultado que é, é de R$ 2.273,50. No Distrito Federal temos R$ 5.325,46, ou seja, 2,34 vezes mais que na Paraíba. A média do Nordeste é de R$ 2.423,01, 7% maior que a nossa.

Mas chega de desigualdades, por hoje, com um último dado colhido do CAGED do Ministério do Trabalho.

Para um salário médio nacional de R$ 2.973,23, como já comentado, temos as desigualdades de gênero. O salário médio do homem foi de R$ 3.181,87 e o da mulher R$ 2.708,71. O homem com 7% acima da média e a mulher com 9% abaixo dessa mesma média. Pode ser?

O que pensam nossos governantes – do executivo, do legislativo e do judiciário – sobre essa realidade estatística inescapável?

Seria muita ousadia exigir, como cidadão, que cessem as discussões estéreis, muitas delas indignas, mesmo, para diálogos acalorados e pouco republicanos em botequins de quinta categoria, mirando sempre o passado?

É hora de pensar no Brasil. Na correção dos desequilíbrios entre pessoas e regiões. É hora de os homens públicos superarem suas desavenças na busca de algo melhor para o país, nesse rol incluindo instituições da sociedade civil, que não se têm apresentado como tão organizada assim, mais parecendo partidos políticos (com “p” minúsculo).

Trazer, para terminar uma palavra de Jesus Cristo “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus.”

É hora de pensar no futuro. Hora de olhar para frente.

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Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

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