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Campina Grande - PB

Descanse em paz, irmã Judite

15/08/2016 às 12:15

Fonte: Da Redação

jose-marioPor José Mário da Silva*

Conheci irmã Judite há aproximadamente seis anos. Alegre, tinha sempre na comissura dos lábios um riso franco, farto e contagiante, tradução exata da genuína felicidade interior que ela desfrutava desde a tenra idade quando, conforme nos afirma o verso de um tradicional cântico de louvor a Deus, “Jesus Cristo fez morada em sua vida, transformando inteiramente o seu coração”.

O júbilo da irmã Judite emanava em sua fluente e cativante conversação, cujo indesviável centro era o evangelho da suficiente graça de Deus manifestada, salvadoramente, na pessoa e na obra do Senhor e Redentor Jesus Cristo. Evangelho esse que irmã Judite aplicava a todas as dimensões constitutivas da sua vida, nunca permitindo que dos seus lábios brotassem quaisquer palavras envoltas pelo veneno da murmuração e do ressentimento contra as inevitáveis adversidades com as quais todos nós, em maior ou menos intensidade, nos deparamos em nosso caminhar cotidiano.

Realista como a cosmovisão emanada das Escrituras Sagradas, que nos cura do otimismo ingênuo e do pessimismo improdutivo, irmã Judite sabia, à luz da eterna pedagogia de Jesus Cristo, que “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Evangelho de João 16.33).

Irmã Judite, há quatro renhidos anos, vinha lutando contra uma enfermidade que, ao fim e ao cabo, findou levando-a a morte, tudo sob o crivo da misteriosa, sábia, santa, soberana e amorosa Providência divina. Mesmo quando os espinhos perfurantes da vida cravam-se em nós, inclementemente, podemos ouvir de Deus a confortadora sentença: “a minha graça te basta” (2 Coríntios 12.9), a mesma que foi ouvida e inspiradamente registrada pelo santo apóstolo Paulo.

Irmã Judite não se apequenou diante da enfermidade mortal que lhe fragilizou o corpo, porque sabia “que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus” (2 Coríntios 5.1). Sabia que “preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos” (Salmo 116.15). Sabia que “Jesus Cristo é a ressurreição e a vida. Quem nele crê, ainda que morra, viverá” (Evangelho de João 11.25). Sabia que “partir e estar com Cristo é incomparavelmente melhor” (Filipenses 1.21). Sabia que a morte, para quem em Jesus Cristo deposita irrestrita confiança, é o passaporte que nos transporta das sendas provisórias do tempo para os umbrais definitivos de uma eternidade cheia de luz e da indizível glória da bem-aventurança sem fim, que tem na presença do próprio Salvador Jesus Cristo, o seu ponto de partida e de chegada para novas e inenarráveis experiências de incompartilhável plenitude de alegria. Sabia que, cessadas as tormentas da vida presente, “Deus enxugará dos nossos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Apocalipse 21.4).

Essa era a robusta esperança que inundava o coração da irmã Judite. A certeza de que no caminho de volta ao nosso lar eterno, jamais iremos sozinhos, antes Deus nos tomará pelas suas doces mãos e nos acolherá no infinito abraço do seu eterno e suficiente amor.

Fui ver irmã Judite em sua partida. As feições serenas cartografavam a placidez de uma alma habitada pela paz verdadeira, aquela que, ao transcender a condição de um mero estado de espírito, constitui-se no inabalável contentamento de uma consciência definitivamente reconciliada com Deus por meio do grandioso e salvífico sacrifício que Jesus Cristo realizou na cruz do calvário. Descanse em paz, irmã Judite.

(*) Membro da Academia Paraibana de Letras

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