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Campina Grande - PB

Demografia e desenvolvimento

26/12/2017 às 9:31

Fonte: Da Redação

Por Arlindo Pereira de Almeida (*)

A demografia é uma das ciências humanas que estuda as populações. Os estudos demográficos indicam que o Brasil está numa posição favorável para o desenvolvimento econômico por ter uma população ainda jovem. O perfil da população mostra que temos cerca de 50 milhões de jovens teoricamente aptos para o trabalho e deles depende, fundamentalmente, o nosso futuro. É o que se chama de bônus demográfico, que tem curta duração, em que temos mais força de trabalho do que inativos. Isso é passageiro, pois a idade média da população tende a aumentar por diversos motivos.

Quando a população envelhece, as novas gerações passam a ser menos numerosas e, caso as oportunidades atuais não sejam aproveitadas, as consequências sobre o desenvolvimento serão severas, com menos recursos para bancar as exigências futuras com o pessoal inativo.

Os países asiáticos, como China, Japão, Cingapura e Coreia de Sul, já esgotaram esse bônus, e possuem hoje   uma população mais envelhecida, mas todos representam notáveis exemplos de economias fortes, coisa que ainda não acontece com o Brasil que continua patinando sem crescer de forma significativa.

A ONU chama a atenção que o bônus demográfico é uma janela de oportunidade que não se repete na história. E, em muitos lugares, como é óbvio, destacamos o Brasil; a população jovem tem sido tratada mais como um problema do que como uma solução. Segundo estudos da ONU, o Brasil tem até 2030- quando se prevê o fim do nosso bônus –  para oferecer oportunidades efetivas de realização pessoal à população jovem.

Nesse quadro o que fazer? Temos entre nós cerca de 10 milhões de brasileiros entre 17 e 22 anos que não estudam nem trabalham, os ”nem-nem”.  No 3º trimestre de 2015, mais de 46% da taxa de desocupação era representada por pessoas entre 14 e 24 anos.

Cerca de 30% desses jovens não completaram o ensino fundamental, abandonando a escola e, para aqueles que ingressam no ensino médio, a evasão escolar é altíssima – 55% não concluem o curso. 70% dos “nem-nem” estão entre os 40% mais pobres do país, vivendo em domicílios com renda per capita de até meio salário mínimo.

O Brasil pode estar desperdiçando oportunidade única, não investindo convenientemente na educação, na capacitação profissional e no estimulo a novas oportunidades de emprego.

(*) Economista

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