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De volta à terra da valsa

Ailton Elisiário. Publicado em 12 de dezembro de 2017 às 11:08

Por Ailton Elisiário (*)

Há 4 anos passados estivemos, eu e Socorro, na Áustria, a terra da valsa. Mais precisamente no sul do país, em Innsbruck, capital do Tirol. Nele penetramos passando pelos Alpes, a bela cordilheira com suas estações de esqui e prática de alpinismo. Agora chegamos a Viena, a capital da Áustria, da valsa e da música da Europa, vindo pelo norte e saindo de Bratislava na Eslováquia.

Afora Paris, em todo o roteiro Viena era a mais esperada, pelo charme que ganhou no conjunto das cidades imperiais. Viena é muito encantadora e sua gente muito charmosa. Uma lenda caracteriza o vienense como um moço folgazão que desafia o destino e até a morte com um copo de vinho na mão. De fato, lá as pessoas são educadas e reconhecidas como tolerantes, embora reclamem de tudo, de todos e, sobretudo do que eles muito amam.

Na nossa chegada fomos a uma das praças importantes da cidade, a Josefsplatz, onde se acha o Palácio Hofburg, antiga residência da família real dos Habsburgos e hoje residência oficial do Presidente da República. Lá minha atenção voltou-se de imediato para a Biblioteca Nacional, que faz parte do Palácio, que exibia uma enorme faixa com esses dizeres: “300 Jahre Freimaurer. Das wahre Geheimnis”, ou seja, “300 anos de Maçonaria. O verdadeiro segredo”. Trata-se de uma exposição da história maçônica austríaca, de iniciativa da Grande Loja da Áustria.

O imperador Franz Stephan de Lorraine, o romancista Joseph von Sonnenfels e os compositores Franz Joseph Haydn e Wolfgang Amadeus Mozart estão entre os representantes austríacos mais proeminentes nos primeiros dias da maçonaria austríaca. Visitamos, inclusive, a Casa de Mozart, hoje um museu que expõe muitos de seus objetos pessoais, partituras, fotos, inclusive seus paramentos maçônicos. A Flauta Mágica, ópera maçônica de Mozart estava em cartaz num dos teatros da cidade. A exposição na Biblioteca teve início em junho/2017 e terá término em janeiro/2018.

Outro local que visitamos foi a Catedral de Santo Estevão, de estilo gótico e do século XIII, onde se veem obras de pedreiros livres. As esculturas “o homem à janela” e “o pedestal do órgão”, cujas figuras mostram em suas mãos o compasso e o esquadro, denotam a presença desses pedreiros em sua construção, como era comum na Idade Média. Mas foi o Palácio de Scrönbrunn, de estilo barroco, residência real do Imperador Francisco José I e da Imperatriz Elizabete, que era chamada carinhosamente pelo povo de Sissi, vitimada num atentado em Genebra em 1898, que por sua semelhança ao Palácio de Versailles na França com seus jardins deixou a todos encantados.

Coroamos nossa visita a Viena assistindo um concerto no Salão Kursalon, cujo programa musical foi montado em obras de Strauss e Mozart. A valsa “Sobre o belo Danúbio azul” de Strauss, hino não oficial da Áustria, ecoou maravilhosa em nossos ouvidos, diferente, porém, do Danúbio real, que não é azul. A valsa azulou o rio por exprimir a paz entre a Áustria e a Prússia, quando foi tocada pela primeira vez em 1867, há exatos 150 anos passados. Interessante que a música clássica é ouvida em todos os lugares de Viena com tanta regularidade, que mais parece ser ela a música popular.

Em outros lugares mais de Viena esteve todo o nosso grupo, como na Ópera Nacional que os vienenses tanto amam, onde pudemos observar nos bastidores do palco principal os preparativos cênicos para uma apresentação. A Coluna da Santíssima Trindade do ano de 1693 na praça do mercado, ao lado da qual saboreamos a “sachertorte”, uma torta de chocolate “sacher” com “chantilly”, original de Viena, dando bicadas num cafezinho ocupando as mesinhas do café. A Fonte de Palas Atenas, a deusa da Sabedoria, na frente do Parlamento, com figuras a seus pés que simbolizam os rios Danúbio, Inn, Elba e Moldávia, rios que correm na região.

Não houve tempo para conhecermos o cemitério principal da cidade. Um local de belíssimos monumentos de arte em cada uma das tumbas ali existentes, nas quais repousam os restos mortais dos artistas, políticos, autoridades e celebridades e que se tornou uma atração turística da cidade. Mozart, Beethoven, Haydn, Lizst, Schubert, os Strauss e tantos outros compositores da música erudita lá se encontram. Viena antiga, circundada pela Ringstrasse, a avenida circular que a separa da cidade mais moderna, foi o berço da nossa Imperatriz Maria Leopoldina, que ali viveu até o seu casamento com Dom Pedro I. Esgotado nosso tempo, de Viena partimos para Budapeste, última etapa do leste europeu que fomos conhecer e Socorro revisitar.

(*) Professor, membro da ALCG

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

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