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De volta a Paris

Ailton Elisiário. Publicado em 24 de outubro de 2017 às 8:10

Por Ailton Elisiário (*)

Na frente da Catedral de Notre Dâme, em Paris, em meio ao seu longo e largo calçadão, há um marco metálico fincado no chão. É o ponto central de toda a França, o marco zero do país. Ali, os turistas costumam pisar o marco e sobre ele girarem em torno de si mesmos, fazendo a circunferência apoiados num único pé. Diz a lenda que em se fazendo isto assegura-se a volta a Paris. Nosso retorno, pois, meu e de Socorro, deve-se ao giro completo que individualmente fizemos sobre aquele marco, há quatro anos passados.

Hoje estamos aqui, recordando instantes e vivendo novos momentos, desta vez com mais tempo livre e com mais dias a desfrutar. Fizemos mais uma vez tudo que todo turista faz: ir ao Arco do Triunfo, à Torre Eiffel, ao Louvre e passear em “bateaux mouche” nas águas plácidas do rio Sena. Priorizamos, porém, andar pelas ruas da cidade, ver os monumentos dentre os quais o túmulo de Napoleão Bonaparte e o obelisco de Luxor na Place de la Concorde, passear de triciclo (tuk tuk), sentar-se num bistrô na calçada da Champs Elysées e tomar um bom café como assim o fazem os parisienses todos os dias.

Mas, acima de tudo isso, realizamos algo que todo casal de amantes faz, mesmo a contragosto do prefeito parisiense: prendemos numa das pontes que unem a Ile de la Cité ao restante da urbe um cadeado grafado com nossas iniciais e data e lançamos a chave ao rio. É assim que a lenda direciona os casais, para que o amor que os une jamais deles se vá embora, amarrando para sempre os seus corações. Na Pont Neuf está pendurado o nosso cadeado, junto a tantos e tantos outros, ali colocados por aqueles que acreditam no Amor. Para nós, pouco importa se isso é mera simpatia, o que importa é que aprisionamos ali o Cupido, para que nos amemos por toda a vida.

Sob essa ponte está a placa indicativa de que ali é o local onde ao fim da tarde de 18 de março de 1314 foi queimado na fogueira Jacques DeMolay, o último Grão Mestre da Ordem do Templo, juntamente com seu Lugar-Tenente Guy D’Auvergnie. Diz a placa: “A cet endroit Jacques De Molay, dernier Grand Maître de l’Ordre du Temple, a été brûlé le 18 mars 1314”. A lenda fala da maldição do grão mestre que ardendo nas labaredas lançou sobre os seus algozes, convocando-os a comparecerem ao tribunal divino dentro de um ano, os quais realmente a ele se juntaram nesse exíguo espaço de tempo.

O local é bem cuidado e serve também de passagem aos que trafegam pelo rio e de ancoradouro das embarcações. Resta, porém, dar-se imponência ao lugar, para se ressaltar a importância que teve a Ordem do Templo na história da França e dos países europeus da época medieval. A Fraternidade do Grande Oriente ou da Grande Loja deve pensar nisto. Fiz ao grande comandante templário as reverências apropriadas, sob os olhares atônitos das pessoas que por ali passavam ou ouviam as informações dos guias de turismo que relatavam o fato histórico. Enquanto isto, Socorro registrava o feito clicando a tecla da função fotográfica de nossos celulares.

Nossa volta a Paris já foi diferente. Visitamos outros lugares, andamos de metrô; olhando de Montmartre apreciamos a vista embranquecida da cidade durante o dia, diferente da cidade iluminada, dourada durante a noite; presenciamos missa na Catedral do Sacré Coeur e nos deliciamos com os vinhos franceses oriundos de Bordeaux. Giramos no marco mais uma vez, porque é impossível se chegar a Europa e não penetrar Paris.

(*) Professor, membro da ALCG

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

falecom@fhc.com.br

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