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Da paixão ao fanatismo

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 27 de setembro de 2018 às 10:00

Li, não sei onde, que paixão tem prazo de validade. Fui procurar na internet e vi que lá estão alguns textos que abordam a paixão em termos de relacionamento conjugal e outros relacionados com torcedores de times de futebol. De forma geral, são textos opinativos, sem embasamento científico, assim como este.

Certamente, quem já esteve apaixonado sabe que a paixão mexe com o metabolismo, altera tudo, tira a racionalidade. Para quem está apaixonado, o objeto da paixão não tem defeitos, só tem virtudes. Afinal, a paixão é um inebriante estado de imbecilidade transitória.

A paixão é como uma droga que altera a percepção da realidade. Sob o domínio da paixão, muitas coisas boas são realizadas e muitas insanidades são cometidas. Nos casos de erros cometidos, vem a ressaca psicológica e, em alguns casos, o arrependimento.

O fanatismo, por sua vez, parece não ter prazo de validade. Ele se comporta como uma doença incurável, como o alcoolismo, ou certas doenças oportunistas que afetam o ser humano, bastando para tal qualquer baixa no sistema imunológico. Algo assim como ocorre com o vírus do herpes.

A vítima do fanatismo desenvolve uma patologia semelhante a uma fé cega. Diante de uma pessoa fanática é inútil você demovê-la de suas convicções. Por mais que você argumente, ilustrando com fatos e dados reais, é pura perda de tempo, pois o mundo mental do interlocutor é outro.

O indivíduo fanático vive no limite. Ele está pronto para matar ou morrer em nome de uma causa que, sem perceber, na maioria das vezes, lhe foi incutida. Isto vale para a religião, para o futebol e para a política partidária.

Um exemplo concreto de fanatismo nos dias atuais são os ataques terroristas ocorridos em vários países. Nesses ataques covardes morrem pessoas inocentes apenas para fazer parte de uma contabilidade perversa.

Ações de extrema violência decorrentes de fanatismo também tem resultado em mortes de torcedores de times de futebol, somente pelo fato de uns não admitirem a existência de torcedores do time adversário.

Na história mundial, ao longo dos séculos, vários são os registros de massacres de inocentes vítimas do fanatismo. Uns realizados conscientes por parte de quem os praticam e outros, talvez a maioria, são perpetrados por inocentes úteis usados como massa de manobra.

No plano afetivo familiar, fanatismo, preconceitos e paixão têm causado muito desentendimento, infelicidade e rompimento de relações, o que é extremamente desagregador.

Fora do âmbito familiar, casos de intolerâncias, decorrentes de fanatismo e paixão também ocorrem, como nas escolas, locais de trabalho, igrejas, sindicatos, associações e movimentos sociais, notadamente onde, lamentavelmente, predominam o proselitismo e o aparelhamento ideológico.

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Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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