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Cultura e Turismo em Campina Grande

Noaldo Ribeiro. Publicado em 26 de maio de 2017.

Por Noaldo Ribeiro (*)

Mesmo não sendo banhada pelas águas do Atlântico, Campina Grande detém alguns espaços que, uma vez revestidos de um tratamento apropriado, poderão se tornar objeto da nascente indústria turística, até então resumida a dois eventos: O Maior São João do Mundo e o Encontro da Nova Consciência.

É certo de que o turismo de eventos tem sido uma boa saída para cidades não contempladas pelos encantos litorâneos, porém por tratar-se de atividade sazonal esbarra em limitações. Decorre daí, explorar outros campos igualmente atraentes de forma a cimentar as bases para edificação do turismo permanente.

A esse propósito é preciso repensar o Centro Histórico da cidade – coincidentemente o centro comercial – com a perspectiva de identificar, trabalhar e integrar os elementos de potencial turístico.

No caso específico, ressalta-se o estilo arquitetônico art déco, resultante da reforma urbana empreendida em 1940 por Vergniaud Wanderley, prefeito de então, que naquela oportunidade seguia a tendência modernizante dos grandes centros urbanos brasileiros, trazendo, aliás, arquitetos da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, responsáveis pelo design dos prédios das principais ruas do centro.

O déco surge no início do século passado e é lançado mundialmente em 1925, durante a Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas em Paris. Trata-se de um conjunto de manifestações artísticas, estilisticamente coeso, tendo como fontes de influência o Art Nouveau, o Cubismo, o Fauvismo, o Expressionismo e o Neoplasticismo e, num plano mais remoto, elementos as artes grega e egípcia.

Em Nova Iorque, o Empire States e o Rockffeler Center são exemplos emblemáticos do déco. No Rio de Janeiro o Cristo Redentor, seu principal cartão-postal, além de boa parte do Flamengo e de Copacabana. Entretanto, o déco mais semelhante ao de Campina encontra-se em Miami, ressalvando que o déco campinense tem, a seu favor, um diferencial: ele se apresenta compacto, sendo considerado um dos mais importantes do país.

Mediante essa potencialidade, nada mais necessário de que reunir os atores envolvidos (Poder Público, comerciantes e lojistas, SEBRAE etc.) para retomar a revitalização do centro, dando um tratamento cromático as fachadas dos prédios, renovando o mobiliário urbano e, sobretudo, traçando uma estratégia capaz de revigorar o comércio, a exemplo da constituição de um shopping a céu aberto, munido de animação artística e outros instrumentos de indução.     

Realizar essas ações significa não apenas singularizar o comércio campinense, mas tratar devidamente o seu patrimônio histórico, convertendo-o em âncora para o nascer do turismo permanente.

(*) Ativista cultural

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Noaldo Ribeiro

* Sociólogo.

falecom@fhc.com.br

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