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Campina Grande - PB

Cultura de paz

04/03/2018 às 14:43

Fonte: Da Redação

(*) Pe. Luciano Guedes

A Campanha da Fraternidade traz este ano o tema “Fraternidade e Superação da Violência”, com o objetivo de vivenciarmos no âmbito de nossa espiritualidade quaresmal a dimensão da caridade, convite renovado à nossa conversão pessoal e comunitária.

Na reflexão proposta, podemos destacar o conceito de “cultura de paz” como constitutivo fundamental na busca de compreendermos as diversas violências, desde o campo da subjetividade humana e suas interrelações até a complexidade do espaço público, envolto nas circunstâncias mais diversas como o trânsito das cidades, a segurança, o combate ao crime organizado, etc.

Ao falarmos de cultura nos remetemos necessariamente à ideia de “cultivo”, “plantação”, ou seja, cultura é aquilo que continuamente semeado vai tornando-se costume, referencial e, finalmente, se direciona de modo mais amplo para o que nomeamos de processo civilizatório. Pela cultura garantimos a sobrevivência, as possibilidades de existência e a identificação coletiva de um grupo humano.

Contudo, constatando a obviedade dos limites e sombras da natureza humana, as sociedades todas instituíram o direito, como convenção e regra básica para dirimir nossa conflitividade. Confiar simplesmente na cultura, como lugar da virtude e da bondade, parece-nos que não foi suficiente para estabelecer a justiça entre os humanos – é o que demonstra a feitura dos povos ao longo da história. Por isso mesmo, aliada à educação as políticas de segurança serão sempre primordiais para a garantia da ordem social.

A Igreja no Brasil convida-nos agora para rezarmos e construirmos caminhos de superação da violência. A desejada cultura de paz, certamente começa pelas relações que tecemos na família, escola, trabalho e cotidiano. Ocupar-se com a paz da humanidade que está longe – nos outros continentes –, sem dúvidas é bonito e merece louvor, mas é a forma como nos comunicamos uns com os outros no espaço real de nossas vivências que expressará este comprometimento prático.

Na motivação trazida pela Campanha da Fraternidade podemos redescobrir esta dimensão no horizonte de nossas particularidades. Faz bem a cada pessoa e ao mundo todo uma palavra de acolhida, estima e reconhecimento. Isto podemos experimentar em cada encontro humano, com o humilde esforço de deixar aberto o coração aos nossos semelhantes.

Educar para a paz é também desafio num mundo de consumidores fanáticos como o nosso, pois é fato que em nome deste desejo, por vezes desproporcional às necessidades, tantas pessoas se esquecem da gentileza e da gratidão. Respeitar as filas no banco ou supermercado, agradecer às pessoas que nos atendem, oferecer ajuda aos mais idosos, são atitudes simples e transformadoras para a construção da paz.

As nossas redes sociais e os aplicativos também precisam ser potencializados para isto. O trágico existe, entretanto, é mentalmente mais saudável divulgarmos notícias de generosidade, que sirvam de exemplo e motivação.

Que este tempo penitencial ora vivido pelos cristãos católicos, seja um sinal para a civilização da paz que todos queremos. Fraternidade, justiça e segurança para todas as pessoas é desejo de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Príncipe da Paz – princípio, razão e fim de nossa esperança.

(*) Pároco da Catedral Diocesana de Campina Grande

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