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Cristo e os discípulos – II

Gomes Silva. Publicado em 13 de março de 2017 às 8:12

Por Gomes Silva (*)

Quando colocamos lado a lado os três relatos da chamada dos doze (Mateus 10:1-4; Marcos 3:13-19; Lucas 6:13-16) surgem certos fatos ilustrativos.

(1) Jesus os escolheu. Lucas 6:13 diz que Jesus mandou chamar a seus discípulos, e que dentre eles escolheu a doze. É como se o olhar de Jesus tivesse estado percorrendo as multidões que o seguiam, e no pequeno grupo que sempre ficava com Ele depois que a multidão se dispersava, procurasse todo o tempo aqueles a quem pudesse confiar sua tarefa. Como se tem dito: “Deus sempre está procurando mãos para utilizar.” Deus sempre se pergunta: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” (Isaías 6:8).

No Reino há muitas tarefas. Há a do que deve abandonar sua pátria e lar e a do que deve ficar onde está; a tarefa que requer o uso das mãos e a que requer o uso da mente; a tarefa que concentrará os olhares dos homens sobre o obreiro, e a tarefa que passará totalmente inadvertida. Mas Jesus está procurando todo o tempo, entre os homens, aqueles que devem realizar sua missão.

(2) Jesus os chamou. Jesus não obriga a ninguém a cumprir uma responsabilidade no Reino, limita-se a oferecer as responsabilidades, para que quem esteja dispostos a aceitá-las as tornem suas. Jesus não obriga, convida. Não quer “recrutas”, mas voluntários. Tem-se dito que todo ser humano é livre para crer ou não crer. Mas todo ser humano recebe o chamado, que pode aceitar ou rechaçar.

(3) Jesus lhes atribuiu uma tarefa. Em Marcos 3:14 diz que Jesus estabeleceu os doze. No original grego a palavra é poiáin, que significa literalmente fazer ou fabricar. Freqüentemente era usada com o significado de atribuir uma tarefa ou designar para uma função pública. Jesus age aqui como um rei que designa a seus ministros; ou como um general que atribui as ordens a cada um de seus comandantes de tropa. Não se tratava de entrar ao serviço de Jesus por uma derivação inconsciente; tratava-se de uma designação definida para Ele. Qualquer um se orgulharia de ser nomeado por um rei para desempenhar algum cargo público, quanto mais deverá orgulhar-se se quem o designa é o Rei de reis?

(4) Estes homens foram designados dentre os discípulos. Um discípulo é alguém que aprende. Os homens que Jesus deseja e precisa devem estar dispostos a aprender. A mente fechada não pode servir a Jesus Cristo. O servo de Cristo deve estar disposto a aprender algo novo cada dia de sua vida. Cada dia deve estar um passo mais perto de seu Mestre e mais perto de Deus. .

(5) Igualmente significativas foram as razões pelas quais Jesus escolheu estes homens. Escolheu-os para que estivessem com Ele (Marcos 3:14). Se tiverem que ser os encarregados de seu trabalho no mundo, devem viver em sua presença antes de sair ao mundo; devem passar da presença de Jesus Cristo à presença dos homens.

Alexander Whyte pregou, em certa oportunidade, um sermão notavelmente poderoso e comovedor. Depois do culto um amigo seu lhe disse: “Hoje pregou como se viesse diretamente da presença de Jesus Cristo.” Whyte lhe respondeu: “Possivelmente tenha sido assim.”

Nenhuma obra no nome de Cristo pode ser efetuada por quem não provenha diretamente da presença de Cristo. Hoje, na complexidade da vida e organização da Igreja contemporânea, muitas vezes, em tantas comissões e comitês, juntas e grupos de trabalho, estamos tão ocupados em fazer funcionar a maquinaria eclesiástica, que corremos o perigo de esquecer que nada de tudo isto tem importância alguma se os atores Mateus forem homens que não estiveram com Cristo antes de estar com os homens.

(6) São chamados para ser apóstolos (Marcos 3:14; Lucas 6:13). A palavra “apóstolo” significa literalmente o que é enviado; é a palavra que se utilizaria para designar um enviado especial ou um embaixador. O cristão é um embaixador de Jesus Cristo diante dos homens. Chega perante a presença de Cristo para poder ir, desde essa presença, a representar a Cristo entre os homens, levando consigo a palavra e a beleza de Jesus Cristo.

(7) Foram chamados para ser arautos de Cristo. No Mateus 10:7 lhes encarrega de pregar. A palavra é kerússain, que provém de kérux, cujo significado em português é arauto.

O cristão é um arauto de Jesus Cristo. Traz para os homens o anúncio de Jesus Cristo. É por isso que deve começar estando na presença de Jesus Cristo. O cristão não foi chamado para levar aos homens seus próprios pontos de vista ou opiniões. Traz de parte de Jesus Cristo uma mensagem de certezas divinas e não pode levar essa mensagem a menos que primeiro a tenha recebido na presença divina.

Obs: Este texto extraído de estudo sobre Mateus 10, de autoria da bibliotecabiblica.blogspot.com com as devidas correções

(*) Pastor

 

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Gomes Silva

* Jornalista, Especialista em Comunicação Educacional-UEPB e pastor da Comunidade Evangélica Pentecostal Expressão de Amor – CEPEA/PB, em Alagoa Grande,

falecom@fhc.com.br

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