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Cristo e os discípulos – I

Gomes Silva. Publicado em 5 de março de 2017.

Por Gomes Silva (*)

Mateus desenvolve sua história de Jesus com certo método, que não exclui o dramático. Na história do batismo vemos como Jesus aceita sua tarefa. Na história das tentações Mateus mostra a Jesus decidindo qual será o método que utilizará para cumprir sua tarefa. No Sermão da Montanha ouvimos as sábias palavras de Jesus. Em Mateus 8 somos espectadores dos fatos poderosos de Jesus. Em Mateus 9 vemos como se arma ao seu redor a ameaça de uma crescente oposição. E agora vemos Jesus escolhendo a seus seguidores. Se um líder estiver a ponto de embarcar numa empresa de grandes dimensões, a primeira coisa que deve fazer é escolher seus colaboradores. Deles depende o efeito presente e o êxito futuro da obra que se propôs realizar. Aqui temos a Jesus escolhendo seus colaboradores, os homens que serão sua mão direita, os que O ajudarão enquanto estiver na Terra e continuarão sua obra depois que Ele houver retornado a sua glória.

Há duas circunstâncias, com relação a estes homens, que nos surpreenderão imediatamente:

(1) Eram homens comuns. Não possuíam riquezas, nem formação acadêmica, nem posição social. Escolheu-os dentre o povo comum. Eram homens cujas atividades se desenvolviam no mundo cotidiano, homens sem uma educação especial, homens sem vantagem social alguma. Tem-se dito que Jesus não procura tanto homens extraordinários que sejam capazes de fazer coisas extraordinárias, como homens comuns que possam fazer as coisas comuns extraordinariamente bem. Jesus vê em cada homem não somente o que esse homem é, mas também o que Ele pode fazer dele. Jesus escolheu a estes homens não a partir do que eram mas sim pelo que chegariam a ser ao colocar-se debaixo de sua influência e seu poder. Ninguém deve pensar jamais que não tem nada a oferecer a Jesus Cristo. Jesus pode tomar em suas mãos até o que o mais comum dos homens pode lhe oferecer e usá-lo com grandeza.

(2) Constituíam a mais extraordinária mixórdia. Havia, por exemplo, Mateus, o coletor de impostos. Todos veriam em Mateus o traidor, que se tinha vendido aos senhores de sua pátria, justamente o contrário do que faria um bom patriota que amasse a sua terra natal. E junto com Mateus estava Simão, a quem se designa como o cananita (AV; NKJV; Reina-Valera; na RA está Simão Zelote). Em Lucas 6:15 está “Simão, chamado Zelote”.

O historiador Josefo fala destes zelotes (Antiguidades, 8.1.6.), denominando-os “o quarto partido político entre os judeus palestinenses”. Os outros três partidos eram os fariseus, os saduceus e os essênios. Diz que “experimentavam uma paixão inviolável pela liberdade” e que para eles “Deus era seu único soberano e rei”. Estavam preparados para confrontar qualquer classe de sofrimento na luta pela liberação de sua pátria, e não vacilavam ante a morte até de seus seres mais queridos se se tratava de uma morte necessária pela liberdade de sua nação. Recusavam-se a conceder o título de rei a nenhum homem sobre a Terra. Sua decisão era tão firme que nenhuma dor podia fazê-los apartar-se de seus objetivos. Estavam dispostos ao assassinato e a guerra de guerrilhas para liberar Israel do domínio estrangeiro. Eram os patriotas por excelência entre os judeus, os mais radicais de todos os nacionalistas.

A realidade terminante é que se Simão o Zelote se encontrasse com Mateus em qualquer outro lugar que não fosse o grupo dos que seguiam a Jesus, provavelmente lhe teria cravado uma adaga. Aqui temos a tremenda verdade de que até homens que se odeiam podem aprender a amar-se, quando ambos amam a Jesus Cristo. Com muita freqüência a religião tem sido um elemento de divisão entre os homens. Mas seu propósito é – e o era na presença de Jesus – um meio de reunir entre si a quem sem Ele teriam permanecido separados.

Podemos nos perguntar por que Jesus escolheu doze “apóstolos” especiais. É bem possível que tenha sido porque em Israel havia doze tribos; da mesma maneira que na antiga dispensação as tribos de Israel eram doze, na nova dispensação são doze os apóstolos do Novo Israel. A informação que o Novo Testamento nos oferece sobre estes homens é muito escassa. Tal como Plummer sugere: “No Novo Testamento não são os obreiros, e sim a obra o que se exalta.”

Mas mesmo que o Novo Testamento não nos diga muito sobre estes homens, é evidente que os concebe como figuras principais da igreja. No Apocalipse lemos que nas doze pedras fundamentais da Santa Cidade estavam inscritos os nomes de cada um dos doze apóstolos Apocalipse 21:14). Estes homens, simples, sem um pano de fundo ou origem social destacada, provenientes de distintas esferas da fé, eram as pedras fundamentais sobre as quais se construiria a Igreja. Homens e mulheres comuns constituem o material sobre o qual está fundada a Igreja de Cristo.

Obs: Este texto extraído de estudo sobre Mateus 10, de autoria da bibliotecabiblica.blogspot.com com as devidas correções

(*) Pastor

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Gomes Silva

* Jornalista, Especialista em Comunicação Educacional-UEPB e pastor da Comunidade Evangélica Pentecostal Expressão de Amor – CEPEA/PB, em Alagoa Grande,

falecom@fhc.com.br

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