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Cristo é a porta aberta a todos

Padre José Assis Pereira. Publicado em 6 de maio de 2017 às 12:05

Por Padre José Assis Pereira

Seguimos celebrando com alegria a Páscoa, contemplando Jesus Ressuscitado. Este Quarto Domingo Pascal é conhecido como o Domingo do Bom Pastor. Somos convidados à experiência pascal de cruzar a porta, entrar na comunidade e escutar a voz do Bom Pastor que deu a vida por seu rebanho e Ressuscitou.

Escutando os evangelhos destes domingos pascais, percebemos que eles nos vão mostrando palavras de Jesus anteriores à ressurreição. Lidas, agora à luz da experiência que está vivendo a comunidade cristã na qual o crucificado é o ressuscitado. Um exemplo disto são as duas imagens do evangelho de hoje (cf. Jo 10,1-10): o “pastor” e a “porta”, que embora diferentes, devem ser lidas em conjunto, para exprimir um único pensamento de fundo.

“Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.” (vv. 2-4)

A porta, o mesmo que o caminho, é um símbolo que, na Bíblia, significa algo mais do que à primeira vista possa parecer. São imagens que fazem referência a princípios morais, a um modo determinado de comportamento. Por isso Jesus afirma: “Eu sou a porta”. Quer dizer, eu sou o modelo que se tem a imitar, o exemplo claro que tem que seguir para poder entrar no rebanho. “Os que vieram antes”, explica o Mestre, eram ladrões e bandidos. Aquele que copiar outro modelo, ou que entrar por outra porta, esse é um salteador, um bandido, um ladrão (v. 1). Por isso as ovelhas não lhes escutaram, se deram conta de que no fundo batia o engano e a mentira. Portanto, tomando essa comparação, bastante habitual nos escritores bíblicos, dos pastores (dirigentes) e ovelhas (povo), se rejeita do texto aqueles que guiam o povo olhando em beneficio de seus próprios interesses econômicos e políticos. São ladrões e bandidos. A salvação passa necessariamente por Jesus.

Por isso os pastores que não se identifiquem com Cristo, nosso Bom Pastor, são pastores falsos, mercenários que só buscam o proveito pessoal e não o bem do rebanho. Em troca, Cristo é o Bom Pastor, as ovelhas lhe reconheceram pela voz e o seguiram. Ele marcha à frente do rebanho, ao estilo palestino, não detrás das ovelhas, mas sim adiante delas; conduzindo-as não a pedradas ou a gritos, ou com a ajuda dos cães, mas sim, lhes marcando o caminho com seu próprio caminhar, fazendo transitável o caminho da salvação.

Com razão se nos disse muitas vezes nos evangelhos que os discípulos e as multidões seguiam a Jesus. O Mestre mesmo dizia aos que chamava: “Vem e segue-me”. Era una forma prática de ensinar-lhes um modo de conduta, indicando-lhes que seguiram a sua própria. Caminhar pelos mesmos caminhos que Ele caminhou passar pelo seu mesmo caminho feito de abnegação e de serviço com prazer, de esforço e de entrega generosa. Caminho de amor e de lealdade, caminho que em ocasiões se fez morro acima, muito difícil talvez, mas ao final é caminho seguro, a felicidade é certa e eterna.

Jesus se apresenta como a porta, como acesso ao Pai. Tem que “passar” por Ele se se quer chegar aos pastos que dão a vida em plenitude, porque Ele veio “para que tenhamos vida abundante” (v.10).

Para os fariseus ou no Antigo Testamento a via mais direta ou a porta que estabelecia a comunicação entre o mundo divino e o terrestre era a lei, o templo ou o culto, isto foi superado. Só Jesus mesmo, sua Palavra e o encontro com Ele são a porta para acessar a Deus de maneira mais direta e mais limpa que qualquer um possa encontrar. Não é a porta, os pastores que convidam a que acedas a Cristo, que às vezes se ficam em um encontro superficial e ritualista. Cristo é quem dá a vida e a dá em abundância. Por essa porta podemos entrar e sair com liberdade.

Jesus é a porta sempre aberta, a porta de entrada da comunidade cristã. Uma porta aberta é uma possibilidade que se oferece e não é nunca um obstáculo. A comunidade e seus pastores de cada momento haverão de cuidar para não diminuir ou estreitar, nem aumentar o portal, modificando o que foi estabelecido pelo único pastor. A fidelidade ao Senhor é o alimento de seu rebanho.

Não sejamos nós pastores e comunidades a colocarmos entraves, obstáculos ou dificuldades à salvação que Deus nos dá gratuitamente. O Papa Francisco disse que “às vezes, na Igreja, somos uma fábrica que produz impedimentos para as pessoas chegarem à graça. Que o Senhor nos faça entender isso”.

A salvação passa necessariamente por Ele, “a porta”, imagem da liberdade, da confiança. As ovelhas que fazem uso da porta, quer dizer, os que aceitam Jesus, estão a salvo, gozam da plena liberdade, Ele caminha adiante do seu rebanho e conhece suas ovelhas e elas o conhecem. A Cristo não lhe espantou o encontro pessoal, às vezes desagradável com as pessoas à sua volta. O Bom Pastor vai direto ao coração das pessoas. As conhece, não as julga, as acolhe, as perdoa e, continuando, convertem-nas em seus acompanhantes do caminho. Jesus, sempre, tem uma palavra para toda pessoa que o busca, sofre ou inclusive se encontra perdido. A todas as pessoas, como elas sejam, hoje temos através da relação de proximidade levar-lhes a Boa Nova do Evangelho. Rebanho e pastor são um só e têm abundância de pastagens, a Palavra.

Hoje nós que somos “ovelhas” do rebanho de Jesus escutemos sua voz e o sigamos. Isso significa, concretamente, tornar-nos discípulos e discípulas dele, aderir a Jesus, percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu, na entrega total aos projetos de Deus e na doação total aos irmãos. Atrevamo-nos a sermos como Ele “portas” sempre abertas e acolhedoras para o acesso da salvação seguindo a Cristo no caminho exigente do dom da vida.

Hoje também é o dia mundial de orações pelas vocações. Peçamos ao Pai que dê a seu rebanho pastores autênticos, formados pela escola do Coração de Jesus, a escola do serviço, da doação radical ao bem estar do rebanho. Que dê a essa Igreja campinense que já foi conduzida por bons pastores, um bispo-pastor autêntico, ministro do Evangelho, fiel anunciador do Reino, intrépido defensor da justiça e da paz, repleto do Espírito Santo e do amor incondicional a Cristo e ao próximo.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Padre José Assis Pereira

* Padre José Assis Pereira Soares é párcoco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro da Palmeira.

falecom@fhc.com.br

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