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Campina Grande - PB

Costa Preto

Comerciante mata quatro bandidos, após reagir a assalto em Cacimba de Dentro - image data on https://paraibaonline.com.br14/06/2016 às 10:35

Fonte: Da Redação

ailton_elisiarioPor Ailton Elisiário*

Francisco de Araújo Costa e Silva, chamado carinhosamente de Costa Preto, tinha 63 anos de Maçonaria. Havia sido iniciado Aprendiz na Loja Simbólica Regeneração Campinense, em 10.01.1953. Na mesma Loja foi elevado a Companheiro em 09.06.1953 e exaltado a Mestre em 05.08.1953.  Ele teve por padrinho Venício Santos e por sindicantes Francisco Cuentro, Raimundo Gadelha Fontes e Pedro Andrade, a quem a todos conheci e pude gozar também de suas amizades.

Pelas anotações de sua ficha cadastral, ele não exerceu oficialmente nenhum cargo administrativo. Isto, todavia, não significa que Costa não tenha participado da vida da Loja. É que ele exercia a profissão de caixeiro viajante, hoje um termo em desuso que significava um vendedor ambulante, um representante comercial itinerante. Por conta disso, ele não tinha como estar com regular frequência presente às sessões da Loja e, por conseguinte, desempenhar a contento qualquer cargo ou função.

Costa era membro emérito da Loja e foi maçom exemplar. Cumpridor de seus deveres, ele tinha um comportamento assentado na moral maçônica. Construiu um amplo relacionamento de amizade, tanto em nível profissional quanto social. Vivia sozinho por opção, como numa clausura auto imposta, mas era ligado com os acontecimentos da cidade e do mundo.

Costa faleceu solteiro, com 95 anos de idade, residindo isolado num pequeno apartamento do Edifício Palomo, nesta Cidade de Campina Grande, sendo cuidado por uma profissional de idosos, que lhe dava assistência integral. Costa nasceu em 05.01.1921, natural de Baixio, no Estado do Ceará.

Essa vida como que de eremita, não tirava de Costa a educação, a gentileza, a atenção, a fidalguia, que eram próprias dele. Observava os acontecimentos e fazia suas análises com bastante cuidado, cioso das críticas construtivas que levavam todos a pensar sobre a vida humana.  Tinha um linguajar impar, expressando-se sempre com um português comedido e elegante. Brincalhão com atitudes respeitosas dele emanava alegria onde estivesse.

Lembro-me muito das brincadeiras que ele fazia com as minhas filhas ainda meninas.  Quando nos encontrávamos nos comícios políticos ou em qualquer lugar, estando eu com minha mulher e minhas três filhas, ele abraçava a todas e dizia sempre para elas: como estão vocês, mundiça? E as crianças riam abraçadas com ele fazendo algazarra. Ainda hoje, elas já mulheres feitas, Costa quando as encontrava continuava chamando-as de mundiça, e o riso delas era o mesmo de quando eram pequenas.

Neste ano Costa enfrentou sérios problemas de saúde. Hospitalizado por cerca de 60 dias, foi acometido de pneumonia que, num idoso ganha proporções consideráveis. Veio a sofrer uma trombose que o levou à unidade de terapia intensiva, não vindo a resistir, falecendo neste dia 05.06.2016.  A missa de 7º dia ocorreu no dia 11, às 17 horas, na Capela da Casa da Criança Dr. João Moura.

Costa agora dorme, descansa no Oriente Eterno. Deixou-nos exemplos por suas virtudes e uma saudade perene. Esta é a minha singela homenagem que lhe faço, registrando o enorme apreço que lhe tinha.

(*) Professor, membro da ALCG

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