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Confissões de um “adolescente”…

Jurani Clementino. Publicado em 22 de julho de 2017 às 10:38

Por Jurani Clementino (*)

O corpo envelhece, a mente não. E isso é uma merda. Tem muitos velhinhos adolescentes por aí. Podia ser fofo, mágico, fantástico. É trágico. Aos quinze anos você pode dizer, sem medo, coisas do tipo: “Eu gosto de você. Sinto muito a sua falta. Gostaria de está ao seu lado. Deitar contigo na cama e jogar conversa fora com os olhos fixos no teto. Não ter pressa pra dormir, porque estou ao seu lado. Dormir abraçados, pelados ignorando as temperaturas… Não ter pressa pra acordar porque durmo contigo” E isso é bonito Isso é poético Isso é humano. Adolescente.

No entanto, aos quarenta, oitenta anos, você também pode dizer isso de maneira sincera. Verdadeira. Numa plena demonstração de que ainda se vive. Que ainda tem um adolescente pulsando dentro do você. De repente ele é despertado. Provocado e convidado a sair. É como se fosse o desnudar de uma alma diante do outro. Diante de outra alma. Na esperança de que a outra alma diga amém. Que corresponda às suas expectativas. Triste fim. As almas têm vidas próprias. Histórias próprias.

Almas não correspondem a desejos mortais alheios. Nem pessoais e muito menos sexuais. Almas alheias podem simplesmente ouvir frases do tipo: “Sou um velhinho que ha tempos não sentia isso. Achei que nem fosse mais sentir. Estava sempre sozinho nos bares. A solidão completava-me. Saía de bar em bar, numa peregrinação infinita, sem rumo. Não tinha em quem pensar… Hoje tenho”. E dito tudo isso, recebe o silêncio como resposta. Porque almas não se importam com as expectativas alheias. Elas têm as suas próprias expectativas. Seus dramas, seus dilemas.

Agora que estou nu, diante de ti. Ordene que eu vista a roupa, saia do quarto e feche a porta. Peça que me aproxime do espelho e enxergue as marcas do tempo. Esse corpo que aparece refletido contrasta com essa mente que te domina. O mundo é dos jovens. Contenha-se. Não. Faça o seguinte: vista uma bermuda, pegue aquela camiseta estampada e saia descalço comigo até a praia. Eu vou cuidar de você.

(*) Jornalista, escritor, professor

Campina Grande – sábado 22 de julho de 2017

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

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