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Coluna Roberto Cavalcanti: “Cambobeach”

Roberto Cavalcanti. Publicado em 28 de fevereiro de 2019 às 16:46

Foto: Acervo pessoal

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O bom e sofisticado não tem limites. É objeto de cobiça. Essa é uma realidade que constato por toda a minha vida. O fenômeno é mundial, nacional e local.

Quando falo sem limites, quero dizer e registrar sua capacidade em se expandir, invadir e ocupar espaços para atender a uma demanda que é crescente.

Atenho-me, para exemplificar, a ocorrências urbanas de fácil constatação em vários locais. Quando uma localização é considerada preciosa, sofisticada, ou mesmo “da moda”, por algum motivo essa área se expande indefinidamente. É a adesão mercadológica em direção ao bom naquele momento.

Algumas caem em desgraça ao longo do tempo – são abandonadas. Temos como exemplos regiões em grandes cidades que eram valiosíssimas no passado e hoje estão em total decadência.

Volto ao sentimento expansionista ou adesista ao bom, aos anos 40/50, em Boa Viagem, época em que poucos moravam lá durante todo o ano. Eu era um deles. Ainda era um bairro de veraneio do velho Recife. A avenida Boa Viagem, tinha mão e contramão, servida por bondes – daí o nome “Circular” para a área onde davam a volta.

Com o passar do tempo e com sua valorização, Boa Viagem se agigantou. Antes uma restrita área delimitada entre o “Primeiro Jardim” e o “Circular”, hoje não tem limites.

O desvalorizado “Pina” foi incorporado e apagado. O que era área restrita a duas ou três avenidas paralelas à beira-mar, hoje vai até o aeroporto. Tudo virou Boa Viagem.

Em São Paulo, com a sofisticação do bairro do Morumbi, constatamos o mesmo fenômeno. Hoje, o nome é adotado por toda uma região que no passado tinha outra identidade, e foi incorporada.

Em Fortaleza, verificamos igual ocorrência: a área inicialmente privilegiada e considerada nobre no urbanismo da cidade deixou de ser Aldeota e passou a ser sinônimo de Fortaleza. Tudo é Aldeota. Não tem limites. O que vale é ser inserida no bom, no sofisticado.

O que dizer da Zona Sul, das praias do Rio de Janeiro? O conceito que antes estava restrito à Barra da Tijuca, cresceu, dilatou, amplificou. Tudo virou “Barra”.

Poderia ocupar todo este espaço com narrativas similares pelo Brasil e pelo mundo, mas não vou esquecer a nossa Paraíba. Onde está o sucesso do momento? Nas praias, tendo uma delas exatamente essa característica expansionista.

Camboinha, antes uma só, cresceu e passou a ter denominações de 1, 2 e 3. Não cabia no mercado imobiliário não ser “Camboinha”. Precisava de mais, afinal, é reconhecidamente uma praia privilegiada.

Já imaginou ter à sua frente o mais famoso banco de areia entre corais do Nordeste, chamado “Areia Vermelha”, a menos de um quilômetro, em meio a um oceano azul? Um presente da natureza.

Tudo virou Camboinha. Casa no Poço, em Areia Dourada, Formosa ou Cabedelo? Nem pensar. A afirmativa mercadológica é Camboinha, não importa se menos 1, menos 2, menos 3, ou mais 1, mais 2, mais 3. O veraneio do momento é Camboinha.

O aspecto geográfico estava predominando, mas será que faltava um algo mais? Que tal internacionalizar?
Que palavra mágica poderia ser incorporada ao que já era especial e sinônimo de maravilhoso? “Beach” foi a solução.

Tudo agora é beach alguma coisa. Tem condomínios residenciais como o Golden Beach (residencial, home), PipeLine Beach, Beach Class Residence, Badalona Beach e o Golden Beach Club.

Se procuramos casas de festa, entre as opções estão o Beach Club, o Espaço Beach e o Unique Beach. Até os bares à beira-mar, com piso em areia, não poderiam ficar de fora. Que tal Gigante do Mar Beach? Pousadas como a Ojuara Beach House seguiram a tendência.

Nada mais oportuno e mercadologicamente adequado do que pleitear uma mudança completa: esse superbalneário bem que poderia ser denominado de “Cambobeach”.

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Empresário e diretor da CNI.

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