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Coluna do Padre Luciano Guedes: Quaresma, deserto e travessia

Pe. Luciano Guedes da Silva. Publicado em 25 de fevereiro de 2018 às 18:09

*Pe. Luciano Guedes

Durante quarenta dias, a cada ano, a Igreja de Deus prepara-se espiritualmente para a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Este tempo marcado pela penitência e renovação da graça batismal chamamos Quaresma. Intensificamos a oração, a escuta da Palavra divina, o jejum e a abstinência, a esmola e a fraternidade, como remédios no combate ao espírito do mal.

Neste tempo santo, a imagem do “deserto” aparece para os cristãos como recordação basilar. Sim, pois foi aí que Deus provou o coração e a fidelidade do seu povo na experiência da Antiga Aliança. Nele também deu-se a vitória de Cristo sobre as tentações do adversário. Podemos compreender esse lugar como cada travessia que fazemos na peregrinação para Deus, fazendo morrer em nós o homem velho, ferido pelo egoísmo e pelas paixões desordenadas, chamado a banhar-se da luz e salvação.

Como no Êxodo de Israel, a Igreja faz uma estrada. Diz-nos o Prefácio V da Quaresma –   contido no Missal Romano –, que “humildemente aos pés da montanha sagrada, ela toma consciência de sua vocação de povo da aliança”. Significa que o caminho ora proposto em nossa espiritualidade quaresmal deverá resultar num pacto novo, na revisão de nossas atitudes e posturas, ou seja, a conversão da vida, porque temos uma vocação sublime e fundamental: somos povo adquirido e consagrado para Deus.

Ir ao deserto da própria vida, reler nossas escolhas à luz de Deus e atravessar o interior de nós mesmos para renovar na santidade nossa condição de filhos amados do Pai. Como o salmista, peçamos com fervor em nossa oração: “Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir? Mas em vós se encontra o perdão, eu vos temo e em vós espero” (Sl 129). Saber-se frágil e pecador, ver-se como pó, “cinza” – aquela mesma traçada em nossas frontes – é o começo do nosso retiro e reconciliação.

Certa vez observou o marceneiro ao pedir-lhe que fizesse novos bancos para uma capela: — É padre! Esse serviço dá mais trabalho, porque os católicos fazem genuflexões, ajoelham-se… sendo assim os bancos vão demorar um pouco. Ao que respondi: — De fato, somos sempre uma Igreja penitente, nossos bancos não nos deixam esquecer disto”.  Que esta Quaresma, seja para todos nós tempo favorável, oportunidade de ouvir mais a Deus. No recolhimento humilde e sincero de nossos joelhos prostrados  ante o Altíssimo, nos interroguemos: Que frutos de vida nova apresentaremos ao Senhor nesta próxima Páscoa?

(*) Pároco da Catedral Diocesana de Campina Grande

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Pe. Luciano Guedes da Silva

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