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Coluna de Roberto Hugo: O futuro repete o passado?

Roberto Hugo. Publicado em 2 de setembro de 2020 às 20:30

Campina Grande encravada no sempre esquecido e sofrido nordeste,   é uma cidade que tem vocação pra festas, pro  trabalho,  pra inovação tecnológica, pro ensino superior e especialmente pro futebol. O rei Pelé, o maior de todos os atletas, já esteve  na Rainha da Borborema.

O extraordinário  Mané Garrincha já jogou pelo Treze no PV.  Zico já jogou no Amigão.  Nilton Santos, o melhor lateral esquerdo do mundo nos anos 60,  já vestiu a camisa do Galo da Borborema. Henágio, um dos ícones do futebol pernambucano foi atleta do Campinense. 

Enfim,  o futebol em Campina  sempre despertou cobiça, sempre chamou a atenção de  curiosos  e  abnegados. Sempre se mostrou ativo – mesmo sem participar  das séries A e B  do Brasileiro –  competições que possuem  visibilidade nacional. Aos trancos e barrancos permanece em pé,  com conquistas esporádicas e derrotas rotineiras.  

Mas o que explica  a manutenção de dois clubes em Campina,  com quase 100 anos de existência, em crise financeira permanente,  com torcidas gigantescas, vibrantes e apaixonadas?  Todo ano desembarca na cidade  uma  “ carrada”  de jogadores , embarca  na mesma proporção, a maioria leva calote dos clubes, e  mesmo assim  entra ano sai ano  tudo segue como antes no “quartel de Abrantes”.

A constatação que chegamos é a de que jogar em Campina pode não dá dinheiro pro atleta,  mas é um test drive pra quem quer seguir na profissão.  É uma espécie de vestibular.  Aqui o torcedor “funga” no pescoço,  marca sob  pressão, as torcidas são grandes e apaixonadas, aqui  tem o maior clássico do interior do país, o campeonato paraibano é um dos mais disputados do nordeste, e sendo vencedor nessa terrinha o jogador está pronto pra alçar novos voos.

Mas como explicar tamanha paixão do torcedor por Campinense e Treze,   já que os fracassos são  rotineiros e as conquistas fugazes?  Eis a conclusão a que chegamos:  O futebol em Campina é movido por vitórias retumbantes, inexplicáveis, muito embora raras. São metamorfoses que alimentam o ego por tempo indeterminado e que sufocam os fracassos rotineiros.  Anotamos  algumas façanhas:

O CAMPINENSE SAGROU-SE  HEXA CAMPEÃO PARAIBANO DE 61 A 65.  FOI CAMPEÃO DA COPA DO NORDESTE EM 2013. VICE CAMPEÃO  DA  TAÇA BRASIL EM 1962.  NA DÉCADA DE 60  FOI CAMPEÃO PARAIBANO  SETE VEZES.   FOI VICE CAMPEÃO DA SÉRIE B  EM 1972. DESDE  A FUNDAÇÃO DO FUTEBOL PROFISSIONAL, PROPORCIONALMENTE   FOI QUEM MAIS CONQUISTOU O CAMPEONATO ESTADUAL.   JÁ O TREZE NÃO FICA  ATRÁS.  VENCEU O  SANTOS NA VILA EM 1986. VENCEU O BOTAFOGO NO RIO. VENCEU O SÃO PAULO NO AMIGÃO. EMPATOU COM O CORINTHIANS  NO PACAEMBU.  EM 2005  FEZ A MELHOR CAMPANHA  DE UM CLUBE PARAIBANO NA COPA DO BRASIL.  FOI CAMPEÃO DO TORNEIO PARAÍBA  PERNAMBUCO NOS ANOS 60.TEVE UMA CLASSIFICAÇÃO  HEROICA   CONTRA A ULBRA NO AMIGÃO  PELA COPA DO BRASIL. SAGROU-SE CAMPEÃO DA SÉRIE B  EM UM DOS MÓDULOS ORGANIZADOS PELA CBF,  E VEM DE  UM ACESSO  A SÉRIE C  CONTRA O CAXIAS, NO RIO GRANDE DO SUL, NUMA BATALHA  PARA MUITOS IMPOSSÍVEL.   

Portanto são façanhas extraordinárias.  Muitas delas de muito tempo atrás. Mas algumas não tão distantes assim.  E quando acontecem, inebria, acalenta, rejuvenesce  o torcedor. Recarrega  as baterias da paixão na medida certa  a espera do “day after”. Pegando carona na  letra do imortal  poeta Cazuza, o  torcedor em Campina Grande sempre acredita de que o “futuro repete o passado”.

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