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Campina Grande - PB

Coluna de Roberto Hugo: Comemoração do gol

24/02/2018 às 9:16

Fonte: Da Redação

Quem dá o passe que resulta na marcação de um gol, no máximo tem seu nome lembrado pela mídia. Quem dribla,  abre espaços  desmonta  esquema tático.  Mas nada se iguala ao momento do  gol. Do jeito que vier. De canela, de peito, de cabeça ou de pé.

O futebol sempre foi parceiro da paixão. Companheiro do amor. Vizinhos íntimos e inseparáveis. Certo  poeta já dizia de que o coração tem razões que a própria razão desconhece. Outro afirmou de que o coração não entende o compasso do pensamento.

São escritos lúcidos,  mas  esnobados pelo submundo do futebol. Por alguns artilheiros nas comemorações dos gols. E com reflexos danosos no dia a dia do esporte mais popular do mundo. Porque nada é mais doloroso ao torcedor do que assistir a um gol marcado pelo time rival. E quando ele vem acompanhado de  deboche,  chacota,  ironia, é preciso muito controle emocional pra digerir essa  overdose de humilhação.

O maior jogador de todos os tempos, Pelé, não comemorava seus gols desrespeitando o adversário.  O  extraordinário  Zico, a mesma coisa. Garrincha, o  maior driblador de todos os tempos, destaque absoluto do Brasil em duas Copas do Mundo, nunca  provocou  o torcedor.  Afinal, insultar o principal suporte do futebol é um equívoco. Uma insensatez.

Nosso Brasil de tantas desigualdades, de  raros  bons exemplos, de forte índice de desesperança,   o emocional  acaba atingindo níveis  incontroláveis, porque o medo está vencendo a esperança. A falta de respeito virou lugar comum. E o  raciocínio lógico fugiu do controle de  muita gente.

Na Europa, em países desenvolvidos, assistimos  Messi – melhor jogador do mundo em atividade –  pelo menos na minha modesta opinião,  no máximo mostrando ao torcedor a  camisa do Barcelona após um gol. E é raro. Cristiano Ronaldo, atual bola de ouro da FIFA,  idem.  Recentemente o brasileiro William do Chelsea fez um golaço no Barcelona pela Champions League  e a comemoração foi de joelhos olhando pros céus agradecendo a Deus.

Logo,  num país onde  a educação  e a instrução   não são  acessíveis a maioria,  impor limites torna-se uma necessidade imperativa.  E uma alternativa é a  edição de regras punitivas   objetivando regulamentar  as  “tais”  comemorações. A  exemplo do que já ocorre quando o atleta tira a camisa  após a marcação do gol.

Porque do jeito que a carruagem segue,  com cocheiros destemperados, os incidentes verificados  recentemente na Bahia vão virar rotina. As brigas entre “torcidas organizadas”  vão ganhar  fôlego, e os estádios vão ficar  cada vez mais vazios.

(*) Jornalista

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