Coluna de Roberto Cavalcanti: Vale a pena?

Roberto Cavalcanti. Publicado em 2 de maio de 2019 às 17:43

Volto à relatividade das coisas, ao dimensionamento dos problemas, aos conflitos humanos. Acho inconcebível dentro de qualquer análise lógica, como potencializamos o nada.

Em todos os meus voos, físicos ou imaginários, impossível não constatar a insignificância das coisas quando delas me afasto. Quanto maior a distância, mais evidentes ficam as nossas diminutas dimensões.

Nosso planeta é uma insignificância astronômica. Somos um grão de poeira cósmica, dependentes da gravidade solar. Não somos nada! Apenas um ponto de tênue luz perdido no universo.

Por que será que tão poucos têm essa macrovisão?

Assisto e percebo, ininterruptamente, a mediocridade dos nossos conflitos. Que pena testemunharmos dois vizinhos rurais brigando por uma braça de cerca. O que ela representa?

Pessoalmente já constatei o inimaginável: familiares brigados por 45 centímetros de um suposto recuo entre suas propriedades imobiliárias urbanas. Qual o valor real disso?

Presenciei lutas fratricidas em razão de uma eventual invasão de pasto vizinho por animais em busca de alimentos. Tivemos as duas últimas duas guerras mundiais motivadas por cobiça expansionista de áreas geográficas.

Nossa história, desde o surgimento da espécie humana, registra a constante luta por frações dessa poeira cósmica. Brigamos por tudo e com todos pelo nada, pelo imerecido.

Mirando as lutas pelo poder, aí é que nos deparamos com a mediocridade no foco de visão. Nos matamos, nos digladiamos cada vez mais intensamente, quanto mais inexpressivos somos.

Já escrevi que o burro briga, o inteligente compõe. A cada dia que passa aumenta meu desapreço pelos permanentemente beligerantes. Esse desprezo é gerado pela identificação do despreparo, da mediocridade, da falta de visão relativa. Confrontam-se com o vento, quando na verdade deveriam tirar partido dele.

Será que o ser humano, cuja capacidade criativa é inimaginável e o tem levado até o cosmo, não enxerga isso? Como podemos conviver com inteligências fantásticas de um lado, e do outro assistirmos mentes negras? Será que não nos apercebemos que quanto maior a nossa capacidade de enxergar à distância, menor será a importância do que tem apenas valor material?

As brigas, contendas e confrontos são atestados incontestes de miopia mental. Descredenciam os que permanentemente depreciam os outros. A tática do ataque ensandecido nada mais é que uma estratégia burra, fruto do desespero. É animal; não é racional.

Vejo na humildade a referência correta para atestarmos que nada somos. Estamos neste planeta, por nós chamado de terra, de forma diminuta. Minúsculo também é o nosso tempo de presença física.

Será que vale a pena, nessa linda e consagradora passagem, não ponderarmos sobre a consistência das coisas? Será que vale a pena colocarmos no cesto do lixo o nosso exíguo tempo, nosso espaço e nossa felicidade?

O contestador inteligente descobre um novo caminho, uma nova forma de superar obstáculos. O burro briga, denigre, imputa aos outros o que está na sua essência.

Distanciem-se do mal. Busquem sempre, nos espaços infinitivos, as soluções para os seus problemas. A vida é um tênue lampejo; passa muito rápido. Curta sua vida. Essa, sim, vale a pena.

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Empresário e diretor da CNI.

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