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Coluna de Roberto Cavalcanti: Térmicas

Roberto Cavalcanti. Publicado em 9 de maio de 2019 às 17:55

Um tema para o qual o Brasil despertou nos últimos tempos foi o das novas fontes de geração de energia elétrica. Sou do tempo das hidrelétricas, tendo no Nordeste como referência apenas a Usina de Paulo Afonso, inaugurada em 15 de janeiro de 1955 pelo esquecido presidente Café Filho.

Meus pais a visitaram logo após o evento. Retornaram com muitas e inesquecíveis histórias, que narraram para mim, menino. Posteriormente, acompanhei o modismo mundial das nucleares.

Um país para ser uma potência e assegurar o seu futuro energético tinha que ter um projeto visando a implantação de usinas capazes de produzir eletricidade a partir de reação nuclear. Para nós, Brasil, graças ao bom Deus, sobraram apenas as de Angra I e II.

Hoje, contemplo um País onde energia limpa versus energia suja é tema sobejamente discutido, para nossa sorte. Já escrevi sobre o privilégio nordestino de termos sol e ventos constantes. Acredito que a participação dessas duas fontes energéticas terão um acréscimo percentual significativo.

Atualmente, nossa matriz energética está distribuída da seguinte forma: hídrica, 60,7%; eólica, 8,7%; biomassa, 8,6%; gás natural, 7,8%; petróleo, 5,2%; carvão mineral, 1,9%; solar, 1,2%; nuclear, 1,2%; outros fósseis, 0,1%; e importadas, 4,7%.

Observa-se que essa distribuição percentual está em constante evolução. Destaca-se, dentre elas, o crescimento significativo da geração solar fotovoltaica, principalmente em nossa região.

O Brasil tem no segmento energético um operador nacional que comanda e disciplina todo o sistema, a Aneel. Sobre um setor específico – o das termoelétricas – pairam muitas especulações sobre benesses que governos passados teriam admitido no tocante aos critérios dos seus leilões.

Como empresário atento às necessidades energéticas empresariais e domésticas, nunca vi com bons olhos os estímulos dados para essa poluidora fonte de geração de energia, em contraponto às eólicas e solar fotovoltaica, sintonizadas com nossas vocações naturais e acionadas por forças renováveis como o vento e o sol.

As termoéletricas são exatamente o contrário, extremamente poluidoras e implantadas a partir de critérios nada transparentes. Foi apresentado um cenário bem construído pela Abraget – associação da categoria – de que se tratavam de um mal necessário.

Mesmo geradas por combustíveis fósseis não perenes e poluidores como são o óleo e o gás natural, seriam necessárias para garantir a estabilidade do sistema energético brasileiro.

O maior problema apontado pelos críticos, afora a falta de transparência, está na forma de remuneração dessas usinas. É inacreditável, mas é verdade! Todos nós pagamos para essas empresas, mesmo que elas estejam paradas. Elas são remuneradas regiamente, quer operem ou não.

O lobby montado por elas vem de uma época em que a dependência do sistema hidrelétrico, principalmente o do Nordeste, era crítica. A perda de vazão do São Francisco preocupava.

Hoje, vivemos uma nova realidade com o agigantamento das novas opções de geração de energia. Agora, a sociedade exige uma discussão mais ampla sobre a forma de pagamento das termoelétricas, antigas e ineficientes.

As concessões dessas usinas se vencem nos próximos anos, o que abrirá espaço para suas substituições por outras fontes não poluidoras e de custo mais baixo.

Atualmente, não é mais convincente a alegação da instabilidade do sistema energético no Nordeste, em razão da falácia de que as energias renováveis têm picos de geração e momentos que não funcionam por falta de vento ou sol.

Esquecem que a interligação nacional das redes de transmissão permite trazer energia de outras regiões que contam com grande capacidade de geração.

Os operadores das termoelétricas desejam que o modelo seja mantido, sobrando para nós, consumidores, a conta, mesmo quando estão paradas. Está aberta a discussão!

Conclamo a todos para atentarem ao tema que precisa ser incluído na pauta das nossas preocupações em relação a fontes de energia. Como cidadão e empresário me recuso a pagar para quem não trabalha. Viva o Nordeste do vento e do sol.

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Roberto Cavalcanti

Empresário e diretor da CNI.

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