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Coluna de Roberto Cavalcanti: Restaurações

Roberto Cavalcanti. Publicado em 29 de abril de 2019 às 17:39

O tempo passa! Existe uma irreversibilidade em tudo na linha cronológica. Há mais de 856 anos, o teto da catedral de Notre-Dame de Paris, era de madeira. Suportar o peso de sua majestosidade exigiu restaurações periódicas, até que foi consumido pelo fogo no último dia 15.

Não incidia sobre ele apenas a espiritualidade ali contida – a egrégora (forças cósmicas/forças telúricas). Pesava, sim, o tempo.

Tenho passado ao longo dessa minha diminuta existência por manutenções periódicas. Graças a proteção divina, meus pequenos incêndios foram todos, até agora, debelados sem danos.

Quando falo em manutenções periódicas, abraço as físicas e as mentais. Diferentemente das primeiras, operadas de forma material, as espirituais são visivelmente menos evidentes, mas igualmente importantes para nosso bem-estar e felicidade.

É fácil avaliar a ação do tempo sobre nossa estrutura física: um andar capengante, um ganho de peso indesejado, perda de massa muscular, redução da elasticidade da nossa pele, perdas progressivas – como no meu caso – da juba, e tantos outros danos que sucessivamente, com ajuda de um bom espelho, tornam-se evidentes.

Preocupo-me, admito, com esse lado físico, porém não relaxo um só instante do meu lado espiritual/mental. Procuro me autoavaliar. Como estou comportamentalmente me conduzindo? Quem sou eu hoje?

Por formação profissional, sou afeiçoado as curvas de tendências, que uso também para identificar se estou melhorando ou piorando comparativamente a uma situação anterior.

Procuro, de forma aplicada, me referenciar, olhando para o meu próprio umbigo, neste caso, o da minha alma. Aprendi que para julgar tenho que antes me autoanalisar, permanentemente.

Parodiando o samba enredo “É Hoje”, da União da Ilha do Governador, nessa luta entre o rochedo e o mar, reconheço uma constante erosão.

As várias gerações com as quais tenho tido a oportunidade de conviver, trazem-me ganho inquestionável. Não posso negar, por outro lado, minhas dificuldades quanto a adaptabilidade evolutiva no meu mundo.

Nenhuma outra geração na história da humanidade passou tão rapidamente por tudo que tem vivenciado a minha – a da pós II Guerra Mundial. Vou me reconstruindo, no meu viver, atentamente. Um olho em mim e outro nos que me cercam.

Como é triste assistir alguns no meu entorno involuírem espiritualmente. Já fui taxado de intolerante, mas o que não posso é calar diante dessa constatação. Considero os que estão à minha frente nesta corrida como meus bois de piranha, eu tendo a oportunidade de segui-los ou trilhar meu próprio caminho.

Ler entrevistas, para mim, tem significado ímpar. Só que as considero apenas retratos daquele momento. As biografias, essas, sim, são minha paixão, por retratarem com relativa exatidão histórias de toda uma vida. São lições valiosíssimas.

Voltando aos flagrantes, posso atestar que me entristeço ao perceber toques de pessimismo em alguns que estão à minha frente na linha do tempo. Comentários sempre negativos, céticos e derrotistas trazem a público um lado que jamais desejo caminhar. Sou amante da crítica, mas nunca todo o tempo ou ignorando o contraponto.

Não tenho tempo para reclamar dos outros. Se tenho tempo, desejo utilizá-lo plenamente na minha autocorreção. Quero permanecer amadurecendo jovem de espírito. Desejo e me aplico para continuar evoluindo.

Cada dia tem sido mais enriquecedor à medida que abraço novas convivências. Renovo-me na boa contestação, no aprimoramento das ideias, na diversidade de opiniões. Dedico-me com o máximo das minhas energias ao novo. Assim, encontro e convivo com a modernidade, onde predomina o otimismo.

Pretendo me distanciar cada dia mais dos negativistas. Só assim caminharei em direção da felicidade. Tenho como propósito de vida rejuvenescer.

Já que meu teto físico, de madeira, estará sempre em risco, cuidarei do mental, cujo desgaste é real, porém sua manutenção requer apenas uma decisão de vida. Evoluir!

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Empresário e diretor da CNI.

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