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Coluna de Roberto Cavalcanti: Prova dos nove

Roberto Cavalcanti. Publicado em 2 de abril de 2019 às 14:48

Quando jovem, antes do advento das calculadoras e posteriormente do uso generalizado da tecnologia digital, na época em que fazíamos as contas, utilizávamos o velho método matemático dos “noves fora”.

A “prova dos nove”, para quem não conhece, é um método para conferir cálculos, somando os algarismos e tirando do resultado o maior múltiplo de 9 nele contido. Um certificador das operações, fundamental nos exames de admissão e para quem os acertos eram fundamentais, como comerciantes e contadores do mundo analógico, por exemplo.

De tão famosa, a “Prova dos nove” virou título de música do cantor Silva, que fala de superação por um amor que partiu: “E aí/ Verá que eu já venci amor/ Verá que foi má sorte/ E posso até sorrir, sorrir, sorrir/ Eis a prova dos nove”.

Para se ter a certeza na matemática, já não recorremos ao saudoso e esquecido método. Contudo, ficou na minha memória. Para ter segurança, sempre faço minhas aferições.

Como empresário, tenho que verificar nossos passos, acompanhar tendências, visualizar futuros. Carrego dentro de mim paixões, dentre elas pela mídia impressa. Amo ler um jornal impresso. Gosto do tato, do cheiro, da visão macro da edição, das paginações, das sequências editoriais, e até do ruído do passar das páginas.

Tenho assinaturas digitais de vários, inclusive do Correio da Paraíba. Porém, nada me completa.

Recebo permanentemente sugestões de colaboradores sobre o posicionamento de seus artigos e até dimensionamento dos espaços. Uma linda disputa para, ao chegar ao leitor, fazê-lo da melhor forma.

Nada se compara ao texto escrito e publicado (impresso). Está aí a importância da preservação e manutenção do único jornal privado diário da Paraíba. Essa é uma das nossas missões, assim como proteger nossa literatura em tempos de modismo nas comunicações digitais.

Dentro desse meu acompanhamento e avaliação dos seus diferenciais, busco provas de que a mídia impressa tem valor inconteste, que continua eficiente ao oferecer informações e também espaços para o mercado alcançar seus clientes com divulgação de produtos e serviços.

Cito as provas: em outubro de 2016 comentava em artigo no Correio sobre a minha experiência nova-iorquina e sobre a constatação de que se uma das maiores empresas do mundo digital, a Apple, utilizava-se do The New York Times para, em caderno espacial, fazer um seu lançamento, estava evidente a força da mídia impressa.

Escrevi na época: “Estamos falando de uma ação de marketing que certamente custou aos cofres da Apple muitos milhões de dólares – e que, com toda a certeza, foi definida com base em sondagens e números que referenciam o investimento”.

E ainda observei: “Entre tantas plataformas disponíveis para escolher lançar seu novo produto (algumas, inclusive, de mais baixo custo), o veredicto da Apple foi o jornal. E não podemos supor, nem de relance, que se trata de ação de amadores. Ou tampouco uma escolha aleatória. A Apple fez esta escolha porque a mídia impressa tem força. Tem alcance. Tem conteúdo. Tem credibilidade e visibilidade”.

Hoje, três anos depois, faço uma nova constatação, desta vez, no nosso Brasil. Outra gigante dessa área digital, a Microsoft, utiliza-se do jornal Valor Econômico, maior noticioso impresso diário dirigido ao mundo empresarial, para em duas páginas, inclusive uma capa extra, divulgar um novo produto, a ferramenta de “machine learning”, com uso de Inteligência Artificial para “criar soluções inovadoras e promover transformação digital”.

Era o que me faltava para voltar aos velhos tempos da “prova dos nove”. As duas gigantes atestam que não dispensam os jornais impressos na comunicação com seus mercados. A confiança na qualidade da informação sempre fez diferença.

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Empresário e diretor da CNI.

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