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Coluna de Roberto Cavalcanti: Por um triz

Roberto Cavalcanti. Publicado em 6 de maio de 2019 às 15:13

Nasci de bumbum virado para a lua. Meu nome, por um triz, não foi Ovídio, por sugestão do meu espirituoso tio Raimundo, que, médico como meu pai, estava na sala de parto, ambos assistindo minha mãe, Beatriz.

A primeira visão que eles tiveram de mim não foi da cabeça, como é comum em partos normais, mas dos “ovinhos”, como fazia questão de repetir meu querido tio. Nasci de bunda (parto pélvico). Daí a sugestão para que fosse chamado de Ovídio.

Considero a recusa de meu pai, e meu batismo como Roberto, como a segunda manifestação da sorte contida na expressão “nasceu de bumbum virado para a lua”. A primeira, é claro, foi o nascimento sem sequelas para mim e minha mãe, já que esse parto, à época, era de grande risco.

Do instante em que nasci até hoje, só encontro razões para agradecer a Deus. Sou um abençoado. Tudo tem dado certo. É claro que tive lutas, mas todas terminaram em vitórias. Sou tão otimista e positivo que não quero contar os fatos negativos. Foram superados. Vou destacar alguns que testemunham como sou afortunado.

Meu avô materno dizia que sua maior riqueza era ter oito filhos, todos saudáveis. Tenho quatro filhos e sete netos igualmente abençoados. São cinco gerações com muita saúde, física e mental.

A sorte também pode ser “trabalhada”. Eu sempre me aproximei, sentimentalmente e profissionalmente, de pessoas fantásticas, e o resultado é que estou cercado de homens e mulheres íntegros, corretos e competentes.

Todas as pessoas que me cercam, em terra, mar ou ar, na cidade ou no campo, em casa, no trabalho ou vida social, são dotadas de extraordinários atributos qualitativos.

José Fernandes me descreve como “um fazedor de amigos”. Eu sou. Cultuo tanto que tenho uma amizade que completa 73 anos, o tempo que temos de vida.

Eu e Abraão Saliture Neto nascemos com menos de 30 horas de diferença. Fomos apresentados na maternidade. Nossas mães ficaram amigas e nós também. Hoje ele mora em São Paulo e eu aqui, na Paraíba, mas nunca perdemos o contato.

Cristovam Buarque foi meu professor na Universidade e tornou-se meu amigo. Convidou-me para trabalhar em um escritório de projetos do qual ficamos parceiros. Fizemos, juntos, o primeiro projeto industrial da minha vida. Foi em 1969, e gerou a minha vinda à Paraíba e meu início na área industrial.

Nosso reencontro foi no Congresso, ambos como senadores. Ele chegou a ser candidato a Presidente da República. Pena que o Brasil não o elegeu. Ainda hoje somos grandes amigos.

Por onde Marcelo Navarro Ribeiro Dantas passou, foi consagrado não como bom, mas como o melhor, o gênio. Como juiz federal, desembargador federal e agora como ministro do STJ, é considerado uma curva fora do padrão por sua inteligência, competência, honradez, retidão e humildade.

É também amigo extremamente generoso, como demonstra no prefácio do meu livro “Como penso”.

“Eis que o empresário ― o político, o homem de comunicação, o economista, o pecuarista, o aviador, o navegador, o automobilista, o pernambucano louco pela Paraíba, o eterno aluno em busca do saber, enfim, essa pessoa multifacetada que é Roberto … ― escreve! (…) Não apenas escreve bem. Ama a escrita, ama essa arte, inclusive seu prelúdio, que é ler, exerce seu mister de escritor antes, leitor com gosto e, diria mais, paixão”.

Nenhum outro representante do mundo empresarial, até aqui, repetiu seu desempenho na política. Empresário em Minas e na Paraíba, ex-vice-presidente do Brasil, José Alencar me honrou prefaciando o livro “Meu tempo sobre o tapete azul”.

Minhas amizades não escolhem sexo. Dina Torti e José Fernandes são meus amigos há décadas. Dois exemplos de dedicação de toda uma vida.

Peço desculpas a centenas de pessoas que participaram das minhas alegrias e que não conseguiria nominar neste espaço.

Hoje, estou completando 73 anos. Como podem comprovar, só tenho motivos para agradecer a Deus por ter nascido de bumbum virado para a lua.

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Empresário e diretor da CNI.

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