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Coluna de Roberto Cavalcanti: Pobre Nordeste

Roberto Cavalcanti. Publicado em 25 de abril de 2019 às 14:48

Por que nossa dependência política é tão intensa? Qual a razão de, por décadas, mantermo-nos, no quadro nacional, liderando em desigualdades sociais e econômicas? No início do século passado não estávamos tão distantes do Brasil como um todo.

Aferi alguns dados atuais que exibem nossas feridas econômicas. Temos uma população que representa 27,5% da nacional e ocupamos apenas 18,5% do emprego formal. Participamos com míseros 7,5% das exportações brasileiras e 9,4% da arrecadação previdenciária.

Nossas desigualdades ficam ainda mais evidentes quando olhamos a receita de impostos: a região Nordeste arrecada 17% do ICMS nacional, enquanto o Sudeste atinge 49,2%.

Para o PIB nacional contribuímos com 14,6%. Quando analisamos o PIB per capita, que revela o nível de vida de uma população, tivemos em 2018 o valor de R$ 13,7 mil, metade do PIB nacional que foi de R$ 26 mil. Somos aproximadamente 50% mais pobres que o resto do Brasil.

Apego-me aos índices de um setor que acompanho há mais de 50 anos, o industrial, e vejo que a participação do Nordeste no PIB industrial foi de apenas 13%, contra 53% da região Sudeste. Está explicado!

Sempre questionei a dependência política regional. Na nossa Paraíba, as eleições nunca acabam. Uma sucede à outra, inapelavelmente. Não temos do que viver economicamente senão apenas dos poderes públicos.

Somos, no caso da Paraíba, totalmente dependentes dos governos federal, estadual e municipal. Não é por acaso que apesar de sermos o 22° em extensão territorial, ocupamos o 9° lugar em número de municípios: são 223. O Nordeste tem 1.794, o que representa 32,2% dos 5.570 municípios brasileiros.

Criar municípios é artifício histórico para proporcionar transferências de arrecadação. Na minha visão, pouco inteligente porque deveríamos atrair investimentos em atividades geradoras de emprego e renda.

Espanta-me a pouca consciência política de que a máquina governamental um dia se esvai. O gigantismo da dependência financeira do Estado é sem limites.

Montamos no Nordeste uma máquina geradora de empregos públicos. A cada novo município criado, fruto do desmembramento de outro também inviável, é montada estrutura pública sem limites: Prefeitura, Câmara de Vereadores e um sem-fim de cargos e órgãos. Todos pagos por quem produz e paga impostos. Ao meu ver, é a perpetuação da pobreza. Nunca sairemos desse redemoinho.

A maior prova de que parte da nossa pobreza é originária desse equívoco político é o surgimento de bolsões de progresso. Temos em todos os Estados da nossa região exemplos de pujança e de geração de riquezas. Pequenas cidades, muitas vezes singelas vilas, têm receitas próprias e renda per capita com padrões de decência. Não os nomino para não cometer falhas de esquecimento. Todos sabemos quem e onde estão.

Estamos há poucos dias com um novo governo que teve em sua plataforma de campanha fazer diferente. Espero que o Nordeste seja o foco desse novo modelo. Amo essa região com a mais descomprometida das minhas intenções. Rogo a Deus que nos ilumine e que, na verdade, possamos ter, na prática, o fim dos desequilíbrios regionais.
Um país gigante como o Brasil, hoje em crise, imaginem suas consequências no pobre Nordeste.

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Empresário e diretor da CNI.

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