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Coluna de Roberto Cavalcanti: Nossos 18 anos

Roberto Cavalcanti. Publicado em 28 de março de 2019 às 15:41

Verdadeiramente, as gerações se sucedem e vivem seus respectivos momentos, cada um fruto do seu tempo, da sua época. Alguém poderia apontar que estou constatando o óbvio. Sim, mas importante quando meu foco são os laços e semelhanças que ocorrem nessa linda continuidade de vidas.

Foi assim, vivendo esse clima, que passei toda a semana. Comemorava, à distância, os 18 anos do meu neto Paulininho, enviando-lhe a seguinte mensagem:

“Meu neto mais velho!!! Lembro-me dos meus 18 anos. Aquela época tudo só era acessível após essa data. Esperei contando dia a dia. Era o acesso aos filmes censurados, a minha primeira carteira de motorista e muitas outras aventuras. Hoje, amanheço contemplando a vida e me vendo em você”.

Continuo: “Neto querido! Aproveite essa sua nova etapa de vida. Parabéns por quem você é! Aí, distante do seu mundo, na solidão que o frio provoca, construindo o seu futuro. Sempre diferenciado por sua inteligência brilhante, construirá o futuro que desejar. Sinto muito a sua falta física, mas você está sempre presente nos meus sonhos. Meu lindo neto, que Deus sempre o proteja! Um cheirão do avô que lhe ama. Rob”.

Complementei com um PS: “Comemore! A vida é muito dinâmica. Se não o fez hoje, faça a qualquer hora, mas faça! Quero ver você alegre. Mil beijos!”.

Tentava estar presente de alguma forma naquela Boston (Massachusetts-EUA) congelada, onde ele está ao lado da irmã, minha neta Maria Beatriz, essa a primogênita mor.

Como é fácil voltar no tempo. Não fisicamente, porém nos fragmentos das nossas memórias. Naveguei rumo ao passado e me encontrei comigo mesmo aos 18 anos. Fase linda da minha vida, de quebra de paradigmas.

Lá estava eu tomando a decisão que marcou a história da minha vida, o meu futuro. Abandonava o cursinho pré-vestibular de Medicina e adotava o de Engenharia/Economia. Distanciava-me de um curso que me levaria a ser um médico – a quarta geração consecutiva (guardo os três anéis do meu bisavô, do meu avô e do meu pai) e tradição centenária -, para abraçar um sonho chamado empreendedorismo.

Sim, precocemente, nos meus exatos 18 anos. Fase de paixões arrebatadoras em uma mente extremamente constante. Namoros, carro emprestado da minha irmã Celina, e sem mais temer, de habilitação em punho, as blitzen do policial motociclista Edgar, do Detran de Recife, que com sua Harley-Davidson foi meu algoz por anos a fio. Depois, tornou-se grande amigo.

Também tirei meu brevê de piloto privado, dando asas a minha imaginação e a voos inesquecíveis. Lindo tempo!

Em minha navegação imaginária, visitei os 18 anos do meu filho Roberto, a geração seguinte. Exemplar em tudo, porém sempre cercado por um pai cauteloso. Meu dilema era com o que presenteá-lo. O que desejaria um jovem daquela época? Não poderia ser diferente: seu sonho, e dos demais, era um automóvel.

Eu, com prazer incontido pela velocidade, sabia ser responsável por 50% do seu DNA, e que o sangue equilibrado da mãe pesaria apenas nos outros 50%. Tive que partir para um risco calculado. Um carro, sim, porém que satisfizesse a vaidade de um jovem mas o impedisse de fazer as loucuras que fiz com os pegas de rua dos meus 18 anos.

Solução: uma caminhonete linda, preta, elegante, confortável e segura. Uma “Blazer” com seu raquítico motor de 4 cilindros, onde a relação peso/potência desencorajava qualquer sangue de piloto a emergir. Objetivo alcançado, um filho feliz e um pai dormindo tranquilo.

Que coisa linda é a sequência da vida! Como foi encantador revisitar esses períodos.

Por temperamento, sou um obcecado otimista. Guardo sempre de forma nítida todos os meus bons momentos. Por autodefesa, deleto por completo as incontáveis passagens nas quais esbarrei com a tristeza. Hoje curto, de braços dados com essas três experiências, os nossos 18 anos.

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Empresário e diretor da CNI.

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