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Coluna de Roberto Cavalcanti: Mulheres aladas

Roberto Cavalcanti. Publicado em 11 de março de 2019 às 19:31

Em casa, nas empresas ou no meu círculo de amizades, estou sempre rodeado de mulheres admiráveis, que se impõem pelo que são e cujas contribuições têm sido decisivas para a construção de uma sociedade igualitária, ética e desenvolvida.

Com tantos exemplos poderosos, não poderia deixar de homenageá-las quando o mundo reservou uma data para enaltecer seu valor, suas lutas e conquistas.

Farei isso destacando uma mulher que iniciou no jornalismo, foi editora e integrou conselho editorial de várias empresas, depois dedicou-se à literatura e se transformou na primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras, sendo ainda acadêmica correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e da Real Academia Galega: Nélida Piñon.

A escolha não resultou apenas dos laços com o jornalismo, mas da grandeza de sua premiada obra literária, da interpretação dos tempos, do pensamento que expõe com firmeza e ousadia, mas principalmente da defesa do hábito de leitura e sua importância na nossa formação.

Numa entrevista em Portugal, Nélida Piñon falava apaixonadamente sobre literatura quando disparou que “a precariedade dos estadistas de hoje”, resulta de falta de leitura e referências. “Eles não se olham no espelho porque não se viram na literatura”.

Para Nélida Piñon, nada indica mais quem nós somos que a literatura. “Interpreta o homem, revela o homem”. Sustenta que nenhum outro campo sociológico/psicológico consegue o mesmo resultado.

Entre os exemplos, cita obras como “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, que pode ser compreendida em todo o mundo, as de Honoré Balzac, “registro civil da França”, e o poder da narrativa do alemão Karl May.

Quem não assistiu “O Mercador de Almas”, baseado em livro do norte-americano William Faulkner? A literatura influenciando o cinema.

Como essa mulher de valor, também acredito que o hábito da leitura é adquirido na infância e vai permitir melhor interpretação da realidade, respeito e compreensão das pessoas. Ela conta que foram as aventuras de Flash Gordon e Mandrake que despertaram o gosto por aventuras que anos depois passou a também criar.

Aqui na Paraíba temos uma cidade com intensa produção literária, que é Cajazeiras. Conhecida como “a que ensinou a Paraíba a ler”, deve essa referência ao legado do famoso Padre Inácio de Sousa Rolim, um poliglota, fluente em 10 idiomas – francês, inglês, alemão, italiano, espanhol, latim, sânscrito, hebraico, tupí-guaraní e grego – que fundou em 1829 um colégio que atraia alunos de todo o Nordeste, entre eles Padre Cícero Romão Batista.

Hoje é consequência do ontem. O DNA intelectual de Cajazeiras vem do passado, é resultado principalmente do exemplo do Padre Rolim. A posição da mulher, hoje, em qualquer área do conhecimento também é resultado do esforço de muitas, cujas histórias são retratadas pela literatura e servem de inspiração para as novas gerações.

Nélida diz que a literatura é alada. Tem o poder de nos transportar para qualquer universo. Espero que o Correio da Paraíba seja asas para a literatura, principalmente a produzida por mulheres que fazem a diferença.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

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Empresário e diretor da CNI.

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