Fechar

Fechar

Coluna de Rafael Holanda: Perdemos a esperança

Rafael Holanda. Publicado em 23 de fevereiro de 2018 às 12:05

Somos o final de uma geração em que o respeito aos pais era a bandeira primordial e pedestal de uma família feliz, compartilhada com amor e educação.

Somos o fim da rama onde a bênção do amanhecer e anoitecer eram rotina diária, e o beijo de despedida para escola era o passaporte para um retorno feliz.

Somos os últimos de uma juventude que vivia nos embalos de canções, regadas por simples dose de Run-montila com Coca-Cola e ultrapassava a noite com serestas à mulher amada.

Crescemos no respeito e na religiosidade, buscamos espelhar nos nossos pais a imagem do amanhã e nos educamos sem vícios ou truques espelhados na mentira.

Mesmo na fase adulta, permanecemos crianças, e fazíamos questão de beijar com carinho a todos os irmãos e respeitar as coisas que podiam contrariar os nossos pais.

Não sei o que serão dos nossos filhos; muitas das vezes se perdem dentro de casa, e passamos dias sem se cumprimentar e nem trocar um único sorriso.

O mundo endoideceu a mente de muitos, a globalização cegou a tantos a ponto de em plena puberdade, acharem que são os donos de toda verdade.

O conhecer dos filhos são curtas metragem, que vão até o portão de casa, após o portão o inferno da desesperança ocupa o nosso lugar, e mostra a miséria postada em cada esquina.

Já não temos força para impor horário, não temos forças para dizer um não, que muitas das vezes eram mais interessantes do que dizer sim.

Já não há diálogo, sem que mostrem saber mais do mundo do que nós, já não há o sim e ficarem em casa, pois de forma agressiva partem e desligam o telefone.

As noites se tornam compridas, o telefone ao lado permanece mudo, como permanece mudo o chegar dos jovens em casa, sem ao menos dizer que voltaram.

Em muitas casas, o telefone toca apenas para informar notícias que muitos não gostariam de receber, uma prisão, uma briga ou uma morte.

Ficamos tristes, porque queríamos conservar o tradicional respeito entre pais e filhos, para que os mesmos criassem os nossos netos.

Vivíamos numa pequena senzala, mas vivíamos felizes, hoje os nossos filhos vivem em castelos, mas vivem na solidão da desesperança cercados de mau humor e depressões.

Como queríamos o antigamente, como gostaríamos que compreendessem que a vida, apesar de curta, traz consigo coisas fantásticas que passam, e amanhã, haverão de dizer: eu era feliz e não sabia.

(*) Médico

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Rafael Holanda

* Médico.

[email protected]

Simple Share Buttons

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube