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Coluna de Patrícia Alves: O mundo precisa de “Sara”

Patrícia Alves. Publicado em 27 de agosto de 2019 às 13:24

Eu, que dirijo teclando, jogo comida no lixo, uso demasiadamente as redes sociais on-line, estaciono na faixa de pedestre em frente à escola do meu filho, sinto inveja, faço joguetes emocionais, não peço perdão, critico os amigos, torço pelo insucesso dos outros, sonego impostos, nego os direitos trabalhistas, não lembro em quem votei, poluo desenfreadamente o meio ambiente, não sou voluntária para nenhuma causa e nem para o próximo… posso afirmar que o mundo não tem conserto!

Chego a gritar: eu sou uma vítima deste mundo antipático, apático, competitivo e selvagem!

Mas ainda bem que não habito sozinha neste MUNDO, existe SARA!

Num destes dias que eu estava certa que o MUNDO NÃO TINHA CONSERTO, fui deixar meu filho na escola. Uma coleguinha o recebeu com um abraço, ajudou a acomodá-lo na cadeira, retirar as coisas dele da mochila. Ela estava fazendo anonimamente, sem perceber que eu e a professora estávamos observando aquela gentileza.

Essa não era a primeira vez que essa menina linda se desdobrava para fazer Pedro, dentro do espectro autista com 9 anos, sentir-se acolhido, mas aquele dia foi impactante não para ele, mas para mim, que estava DESCRENTE.

Voltei para casa, chorei horrores, pedi perdão a Deus. Quando fui buscá-lo, estava lá Sarinha (a apoiadora de Pedro), faceira e alegre, como um anjo, chegou perto de mim com um sorrisão mágico e me disse todas as tarefas do dia: livro de português, atividade de ciências e Pedro comeu todo o lanche.

Paralisada, no meio de um pátio com gritos e cheiros únicos da escola, dei um abraço nela bemmmmm apertado e lhe disse: Sarinha, você é uma gigante. Seu coração é cheio de amor e acho que você quando crescer vai ajudar ainda mais pessoas, ou será pedagoga ou será médica, porque seu prazer em cuidar é um dom.

Ela só tem 8 anos e achou aquelas palavras uma grande bobagem. Despediu-se com um beijo e abraço triplo apertado (eu, ela e Pedroca) e eu voltei para casa impactada, mais uma vez, com a certeza que existem muitas Sarinhas para Sarar o mundo, que despretensiosamente usam o PODER DO AMOR para CURAR.

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Patrícia Alves

* Jornalista e analista de projetos para captação de recursos públicos.

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