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Coluna de Patrícia Alves: Luta, jamais o luto

Patrícia Alves. Publicado em 26 de fevereiro de 2018 às 10:18

Foto: Ascom

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Por Patrícia Alves (*)

Dedicado a Karla Silveira, que me ajudou a encarar os grandes desafios!

Quando meu filho estava com 2 anos de idade, isso em 2012, percebi inúmeras dificuldades no convívio social e cognitivo dele, mas como mãe de primeira viagem, não sabia o que fazia aquela criança perfeita e linda não olhar nos meus olhos, não responder quando eu chamava Pedro, não atender simples comandos, chorar quando entrava alguém estranho em nossa casa, rodar através do próprio corpo, não pronunciar “mamãe” e “papai”, mas falar com clareza palavras complexas.

Remando contra a maré, fomos ao médico que em cinco minutos de exame declarou: Seu filho está dentro do espectro autista. Não posso diagnosticar agora, por ele ser muito pequeno, mas ele tem todas as características. Alguma dúvida?

Você já se enxergou caindo de um prédio de 200 andares? Essa foi minha sensação, de morte profunda, de luto, de tristeza… o que seria do futuro do meu filho? Pensamentos e devaneios – nenhum positivo – me forçaram a erguer a cabeça, porque meu amor por Pedro era maior que toda angústia e decepção, decidi então não ficar de luto e ir à luta.

Lembro que na mesma tarde procuramos psicopedagoga, fonoaudióloga… e todos os demais profissionais que pudessem nos ajudar a obrar um milagre.

Foram longos 5 anos, de choros, dúvidas, medos e solidão. Escutei muitos “ele não vai conseguir”, “mãe, aceita, seu filho é lindo”. Ainda bem que sou surda, e que Pedro é alheio aos malefícios dos descrentes.

Enfim, resumão de tudo, foram 5 anos de dedicação, com saída do trabalho (que parecia ser o que me completava) para dar suporte ao desenvolvimento de uma criança autista.

Hoje, tenho um filho com 8 anos, que consegue ler, ter laços afetivos, é gentil, carinhoso, íntegro e que sabe que tem que lutar todos os dias para se superar. Pedro tem a consciência que precisa ter mais esforço em todas as atividades, o melhor é que ele é forte – como a mãe – e encara a vida como um grande desafio, não aceitando parar de lutar, até conseguir.

Este textão é para dizer que como mãe, que sempre buscou ser lanterna para iluminar o caminho dele, eu nunca me curvei aos nãos que um diagnóstico impôs. Sempre me recusei a vestir azul, ou soltar balõezinhos para pedir compaixão à sociedade hipócrita, que aceita colocar um cartaz enorme para não discriminar um homossexual nos estabelecimentos comerciais (nada contra, e justo), mas não aceita inserir um símbolo para que meu filho tenha preferência no atendimento.

Eu, após cinco anos de LUTA, e não LUTO, posso garantir que não vou calar-me e compartilho com vocês que no dia 22 de fevereiro de 2018 a Justiça me concedeu o tratamento adequado para Pedro, OBRIGANDO o plano de saúde a pagar as terapias necessárias para ele, algo que eu fiz sozinha por longos 5 anos.

Agora, para finalizar, peço que você não deixe UM NÃO determinar sua luta, lute pelo seu bem mais precioso, não deixe um diagnóstico, escola, “profissional”, “político” ou qualquer ser vivente te dizer qual é o limite!

Vamos à luta!

(*) Jornalista

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Patrícia Alves

* Jornalista do PARAIBAONLINE, assessora da Secretaria de Cultura, e consultora empresarial da Idealize.

falecom@fhc.com.br

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